O que diz dono de pizzaria na Paraíba após mulher morrer com sintomas de intoxicação alimentar

O dono da pizzaria La Favoritta, na cidade de Pombal, na Paraíba, se pronunciou em vídeo publicado nas redes sociais na noite de terça-feira, 17, após uma mulher morrer e mais de cem pessoas que comeram no estabelecimento buscarem auxílio médico na cidade com sintomas de intoxicação alimentar. A pizzaria foi interditada pela Agência de Vigilância Sanitária da Paraíba (Agevisa).

No vídeo, o empresário Marcos Antonio Gomes Neto, de 24 anos, pede desculpa pela demora em se posicionar e diz estar sem acreditar no ocorrido. Na gravação, ele aparece ao lado da advogada que o representa, Raquel Dantas, e manifesta condolências pela morte da mulher.

Gomes Neto afirma que, desde que abriu a pizzaria, há seis anos, sempre procurou trabalhar com bons ingredientes e, por isso, não sabe o que teria acontecido. "Sempre tentei fornecer o melhor serviço para os nossos clientes. Trabalho sempre tentando trazer uma melhoria, sempre tentando inovar, me aperfeiçoar, fornecer um produto de qualidade, uma boa experiência", diz.

A mulher que faleceu foi à pizzaria no domingo, 15, e deu entrada no Hospital Regional Senador Rui Carneiro no dia seguinte, com um quadro de diarreia, vômitos e dor abdominal. Segundo a unidade de saúde, a paciente apresentou rápida evolução clínica, foi encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) já em estado geral gravíssimo, e teve a morte confirmada às 8h59 de terça.

Além dela, o hospital registrou 74 atendimentos relacionados a sintomas compatíveis com suspeita de intoxicação alimentar no domingo e na segunda-feira, 16. Outros pacientes buscaram ajuda na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município, totalizando 113 pacientes.

Gomes Neto afirma no vídeo que teria sido ele próprio a chamar a Vigilância Sanitária de Pombal para vistoriar a pizzaria na segunda-feira, 16, quando já havia muitas pessoas procurando o hospital e a UPA.

"Para eles poderem fazer a fiscalização e me dar um respaldo, me dar uma resposta do que veio a ocorrer. Todos nós queremos resposta, eu como proprietário, pessoas que foram afetadas e familiares também. Eu preciso da verdade para me sentir bem", relata. Ele ainda afirma que tenta colaborar com a polícia civil e a vigilância sanitária e que nunca teve intenção de machucar ninguém.

Também no vídeo, a advogada diz que a interdição do restaurante foi uma "questão sanitária", pois no local não haveria nada que indicasse a contaminação das pizzas, como comida estragada ou insumos com data de validade expirada. As irregularidades encontradas pela Agevisa seriam itens como fiação elétrica irregular ou paredes com pintura sem revestimento, afirma ela.

Segundo a Agevisa, o estabelecimento não armazenava os alimentos de forma adequada e foi identificada a presença de insetos. A um canal de televisão local, a TV Paraíba, o inspetor sanitário Sergio Freitas afirmou que no local foram observados "insetos, conforto térmico terrível, falta de conservação adequada dos alimentos, equipamentos oxidados e reaproveitamento de vasilhames de alimentos já utilizados".