Morre o ator Juca de Oliveira, aos 91 anos

Artista estava internado no hospital Sírio-Libanês desde o dia 13 de março

Juca de Oliveira
Juca de Oliveira -
Rio - O ator e dramaturgo Juca de Oliveira morreu aos 91 anos, na madrugada deste sábado (21), em São Paulo. O artista estava internado no Hospital Sírio-Libanês desde o dia 13 de março, com quadro de pneumonia associado a uma condição cardiológica.

A informação foi confirmada pela equipe de Juca ao DIA. Em nota, a equipe destacou que o estado de saúde era delicado nos últimos dias. “Com pesar, comunicamos o falecimento do ator, autor e diretor Juca de Oliveira, ocorrido neste madrugada de 21 de março de 2026, aos 91 anos”, diz o comunicado.

O texto também ressaltou a relevância de sua trajetória: “Reconhecido como um dos grandes nomes das artes cênicas brasileiras, Juca de Oliveira construiu uma trajetória sólida e admirada no teatro, na televisão e no cinema. Membro da Academia Paulista de Letras, destacou-se como intérprete, mas também como autor e diretor de obras relevantes, marcadas por olhar crítico, sensibilidade social e forte presença de público.”

A equipe acrescentou: “Sua atuação sempre foi pautada pelo rigor artístico e pelo compromisso com a cultura brasileira. A família agradece as manifestações de carinho e solidariedade.”

Juca havia completado 91 anos no último dia 16 de março, data que passou hospitalizado.
O velório acontece neste sábado (21), no Funeral Home, na Bela Vista, região central de São Paulo, entre 15h e 21h.

Trajetória entre palcos, novelas e cinema

Nascido em São Roque, no interior paulista, como José Juca de Oliveira Santos, o artista iniciou a carreira nos anos 1950 e se consolidou na década seguinte. Formado pela Escola de Arte Dramática, integrou grupos fundamentais da história cultural brasileira, como o Teatro Brasileiro de Comédia e o Teatro de Arena.

Nos palcos, atuou em montagens marcantes, como "A Semente", de Gianfrancesco Guarnieri, "A Mandrágora", de Nicolau Maquiavel, além de clássicos como "Ricardo III", de William Shakespeare, e "Dois Perdidos numa Noite Suja", de Plínio Marcos.

A partir dos anos 1980, ganhou destaque também como dramaturgo, com textos de sucesso como "Baixa Sociedade", "Motel Paradiso" e "Qualquer Gato Vira-Lata Tem uma Vida Sexual Mais Saudável que a Nossa". Nessas produções, acumulou as funções de autor e ator, marca constante de sua carreira.

Na televisão, construiu uma trajetória extensa, com passagens por emissoras como Globo, SBT, Record, Band, além das extintas Tupi e Manchete. Entre os papéis mais lembrados estão João Gibão, em "Saramandaia", o protagonista de "As Pupilas do Senhor Reitor" e o cientista Dr. Albieri, de "O Clone", escrita por Glória Perez.

No cinema, estreou em "O Caso dos Irmãos Naves" (1967) e participou de títulos como "Bufo & Spallanzani" (2002) e "De onde eu te vejo" (2016). Ao longo da carreira, somou mais de 30 novelas, dezenas de filmes e cerca de 60 peças teatrais.

Durante a ditadura militar, o artista também enfrentou perseguição política. Ligado ao Partido Comunista Brasileiro e ativo no Teatro de Arena, foi forçado ao exílio na Bolívia.

Últimos trabalhos e vida pessoal

Seu último trabalho na televisão foi na novela "O Outro Lado do Paraíso" (2018). Nos anos recentes, manteve o foco no teatro e em projetos pessoais, além de cuidar de sua fazenda.

Discreto fora dos palcos, era casado há mais de 50 anos com a musicista Maria Luisa de Faro Santos e deixa uma filha, a produtora teatral Isabella Faro de Oliveira.
Juca de Oliveira
Juca de Oliveira Frederico Rozário / TV Globo
Juca de Oliveira
Juca de Oliveira Rafael Sorín / TV Globo
Juca de Oliveira na novela 'O Clone'
Juca de Oliveira na novela 'O Clone' Reprodução / TV Globo
Juca de Oliveira na novela 'O Clone'
Juca de Oliveira na novela 'O Clone' Reprodução / TV Globo
Samuela (Juca de Oliveira), Lindaura (Angela Vieira) e Ester (Grazi Massafera)
Samuela (Juca de Oliveira), Lindaura (Angela Vieira) e Ester (Grazi Massafera) Divulgação