Rio – A capivara agredida por oito pessoas na Ilha do Governador, na Zona Norte, na madrugada deste sábado (21), teve uma melhora no quadro de saúde. Após ficar em estado crítico e sedado para estabilizar um traumatismo craniano, o animal despertou e já consegue ficar de pé, mas ainda demanda cuidados redobrados.
Depois de conseguir fugir dos agressores, a capivara, um macho adulto de 65 kg, foi resgatada por equipes da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) e da Patrulha Ambiental, que a levaram para o Centro de Recuperação de Animais Silvestres (Cras) da Estácio, em Vargem Pequena, na Zona Oeste. O local especializado funciona como uma clínica universitária, por meio de uma parceria entre a faculdade, o Governo do Estado, o Instituto Estadual do Ambiente e a própria Patrulha Ambiental.
Em conversa com a reportagem de O DIA, o veterinário Jeferson Pires, que está á frente do caso, relatou que a capivara chegou ao Cras com sintomas clínicos de traumatismo craniano, incluindo sangramento nasal e lesão ocular. O animal - que está em um viveiro grande, em área externa e com circulação de ar - reagiu bem às medicações durante a madrugada e apresentou uma evolução no quadro.
Entretanto, o risco de uma miopatia, devido a um possível esforço muscular excessivo, ainda preocupa a equipe: “Às vezes, numa tentativa de fuga, ele força a musculatura, e o ácido lático produzido necrosa essa musculatura. Esse quadro pode levar o animal a óbito até um mês depois, por insuficiência renal”, explicou Jeferson Pires.
O veterinário acrescentou que será fundamental acompanhar a capivara de perto neste período: “Por enquanto, o animal está estável. Está bebendo água, comendo um pouco, se alimentando à base de capim, milho frutas, legumes... Mas esse quadro pode mudar de maneira muito abrupta. Então, vai estar em risco por esse tempo ainda, e nós vamos monitorá-la. Vai requerer muita atenção e muito acompanhamento”.
Pelas agressões, ocorridas por volta de 1h de sábado, na orla do Quebra Coco, no Jardim Guanabara, na Ilha do Governador, seis homens foram presos e dois adolescentes apreendidos na região do Guarabu, no mesmo bairro.
Imagens de uma câmera de monitoramento mostram quando o grupo se aproxima do animal. Segundo testemunhas, eles usaram barras de ferro e pedaços de madeira no ataque.
Os seis adultos responderão por maus-tratos, associação criminosa e corrupção de menores. Já os adolescentes responderão por atos infracionais análogos aos mesmos crimes. As investigações seguem para o completo esclarecimento dos fatos.
Presidente da Comissão de Defesa dos Animais da Câmara Municipal do Rio, o vereador Luiz Ramos Filho, que recebeu denúncia sobre o espancamento, se manifestou sobre a prisão dos agressores: "Vamos cobrar punição exemplar para os criminosos que fizeram essa covardia com o bicho”.

