A cidade de São Paulo registrou alta de furtos e estupros em fevereiro deste ano ante o mesmo mês do ano passado, segundo dados divulgados nesta terça-feira, 31, pela Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP). Ao mesmo tempo, houve queda nos homicídios, roubos e latrocínios.
- Furtos: foram 20,3 mil casos em fevereiro, o equivalente a 30 casos por hora e a uma alta de 2,45%;
- Estupros: saltaram 5,35% na capital paulista, com 256 ocorrências contabilizadas no mês passado.
Em nota publicada no site, a secretaria destacou que os roubos, por sua vez, chegaram ao menor índice desde o início da série histórica, iniciada em 2001, ficando abaixo de 15 mil registros no acumulado de janeiro e fevereiro pela primeira vez.
- Roubos: foram 7,4 mil registros em fevereiro, queda de 11,9% ante o mesmo mês do ano passado;
- No acumulado do ano, os casos caíram 15,7% na cidade, com quase 14,9 mil ocorrências.
Ao Estadão, a secretaria afirma que "monitora continuamente os indicadores criminais em todo o Estado e intensifica ações integradas de prevenção e repressão à criminalidade".
A pasta diz ainda que, a despeito das altas de alguns indicadores em fevereiro, a capital paulista registrou queda de 2,34% nos estupros e de 0,14% nos furtos no primeiro bimestre.
No que diz respeito aos crimes patrimoniais, os dados apresentados nesta terça mostram que o cenário em São Paulo repete padrão apresentado no ano passado, quando houve queda de quase 15% nos roubos, com menos de 100 mil registros no ano, e alta de 3,6% nos furtos.
Autoridades policiais apontam que, diante da possibilidade de multiplicar os lucros com transferências via Pix, criminosos têm focado em aproveitar as oportunidades para furtar celulares no "atacado" (em grandes quantidades), preterindo assaltos mais elaborados e que podem resultar em penas maiores.
Na primeira noite do festival Lollapalooza, no último dia 20, uma mulher de 35 anos foi presa em flagrante por furto após ser encontrada com 11 celulares e uma máquina fotográfica. A maior parte dos objetos teria sido furtada dentro do Autódromo de Interlagos, onde acontece o evento.
A Polícia Civil identificou ao menos três quadrilhas, com cerca de dez integrantes cada, focadas em cometer furtos em festivais. "Normalmente são jovens e que atuam onde há aglomeração de pessoas", afirmou ao Estadão o delegado Luiz Alberto Guerra, que integra a Divisão Especializada de Atendimento ao Turista (Deatur).
Entre os destinos dos aparelhos, estão endereços no centro da cidade de São Paulo. São pontos que ficam em ruas como a Aurora e a dos Guaianases, consideradas epicentros da receptação de celulares roubados e furtados em São Paulo. Eles acabam servindo inclusive para casos ocorridos a mais de 20 quilômetros de lá.
Em entrevista recente ao Estadão, a diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo, afirmou que a possibilidade de os criminosos fazerem transferências rápidas via Pix ou mesmo aplicarem golpes a partir dos aparelhos tem piorado a sensação de insegurança da população mesmo diante da queda de crimes como os homicídios, por exemplo.
- Homicídios: caíram 18,7% na capital em fevereiro, com 39 vítimas contabilizadas;
- Latrocínios: tiveram queda de 80% em fevereiro, com uma vítima (no mesmo mês do ano passado, foram cinco).
Retrato no Estado de São Paulo
Diferentemente da capital paulista, o Estado registrou quedas não só nos homicídios, roubos e latrocínios, como também nos furtos, segundo os dados oficiais. Já os estupros também apresentaram alta, ainda que mais discreta que na capital.
- Estupros: foram 1,2 mil vítimas em fevereiro, aumento de 0,9% em relação ao mesmo mês de 2025.
A Secretaria da Segurança Pública destaca, em nota publicada no site oficial, que o Estado registrou 90 casos de estupro a menos no acumulado de janeiro e fevereiro, na comparação com o mesmo período do ano passado.
"Os dados apontam redução de 3,6% nas ocorrências em geral - que incluem estupros e estupros de vulnerável - passando de 2.487 registros em 2025 para 2.397 neste ano", pontua, em nota.
Segundo a pasta, a diminuição foi puxada principalmente pelos casos de estupro de vulnerável, que tiveram queda de 82 registros (-4,3%). "Já os estupros em geral apresentaram recuo de 1,3%, com oito ocorrências a menos no período", afirma.
O ponto de alerta é que, na contramão dessa baixa, o Estado de São Paulo registrou 55 feminicídios nos dois primeiros meses do ano, como mostrou o Estadão.
Trata-se do maior índice desse tipo de crime no primeiro bimestre desde 2018, quando a pasta passou a divulgar os dados nas suas estatísticas criminais. Do total de 55 ocorrências, 11 aconteceram na capital paulista - foram 13 no mesmo período do ano passado.
Questionada sobre o tema, a secretaria afirmou que o enfrentamento à violência contra a mulher "é prioridade do Governo de São Paulo" e que a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos) busca ampliar a rede de proteção às vítimas.
A pasta aponta que o Estado conta com 143 Delegacias de Defesa da Mulher distribuídas pelo território paulista, sendo 18 com funcionamento 24 horas. "Além disso, foram implantadas 173 Salas DDM em unidades policiais, que permitem atendimento remoto por videoconferência e ampliam o acesso ao serviço em diferentes regiões", complementa.
- Roubos: foram 11,6 mil casos em fevereiro deste ano, queda de 18,4%;
- Homicídios: 191 pessoas foram vítimas no mês passado, redução de 6,4%;
- Furtos: 42,3 mil ocorrências registradas em fevereiro, queda de 5,9%;
- Latrocínios: foram cinco casos em fevereiro, metade do que no mesmo mês do ano passado.
Segundo a secretaria, no Estado, foi registrado o menor número de homicídios dolosos e de latrocínios dos últimos 26 anos. "Entre janeiro e fevereiro, foram 369 ocorrências de homicídio doloso - 47 a menos que em 2025, uma redução de 11,3%", diz, em nota.
A pasta acrescenta que a produtividade policial também avançou: foram 7,7 mil suspeitos presos ou apreendidos no período, sendo 4.886 em flagrante e 2.508 por mandado, além de 317 adolescentes apreendidos, segundo os dados oficiais.

