O caso do estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, causou comoção no País, mas não é um fato isolado. Números do Ministério da Saúde revelam que esse tipo de violência é bem mais comum do que se imagina no Brasil - e que as principais vítimas são menores de idade.
Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) indicam que, entre 2022 e 2025, foram registrados 22.800 casos de estupro coletivo no Brasil, ou seja, uma média de 15 por dia. Desse total, 8,4 mil tiveram como vítimas mulheres adultas e 14,4 mil crianças ou adolescentes do sexo feminino. Mas a realidade pode ser ainda pior, já que esses números representam apenas as vítimas que tiveram atendimento no sistema de saúde.
Em entrevista à Rádio Eldorado, a professora de Direito Constitucional da PUC-SP Luciana Temer, que é diretora-presidente do Instituto Liberta, disse que o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital (ECA Digital), que acaba de ser regulamentado, pode ser um dos caminhos para combater esse tipo de violência, que captura crianças e adolescentes por meio dos algoritmos das plataformas digitais.
No entanto, ela defendeu a educação de meninos e meninas sobre temas aos quais o acesso tem se dado por meio de redes sociais e sites pornográficos.

