PM 'Influencer' é preso no Paraná por suspeita de crime de tortura e fraude

O policial militar Marcionílio Sancho Cambuhy Junior, conhecido nas redes sociais como Sancho Loko, de 44 anos, foi preso esta semana durante uma ação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, que cumpriu mandados de busca e apreensão contra quatro policiais.

Segundo a Promotoria, três desses agentes são suspeitos de cometer, "de forma reiterada", crimes de tortura, fraude processual, lesão corporal e falsidade ideológica.

Durante o cumprimento de um dos mandados, foram encontradas munições irregulares e duas granadas na casa de Sancho Loko, que acabou sendo detido em flagrante - a prisão já foi convertida em preventiva pela Justiça após audiência de custódia.

Procurada, a defesa do policial militar não respondeu aos contatos da reportagem até a publicação do texto. O espaço segue aberto.

Em uma postagem nas redes sociais, o advogado Claudio Dalledone, que representa Junior, afirmou que as granadas apreendidas são de efeito moral e, por isso, "sem letalidade nenhuma". "Só por isso ele foi acusado", afirmou o defensor.

Dalledone classificou o pedido de prisão preventiva "descabido" e afirmou que a defesa vai recorrer da decisão. "Não há motivo algum para que ele permaneça preso preventivamente".

O cumprimento dos mandados foram expedidos pela Vara de Auditoria da Justiça Militar e contou com o apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar. Três mandados foram cumpridos nas residências dos investigados, e um, na unidade militar em que estão lotados em Curitiba. Os nomes dos demais agentes investigados não foram informados.

O Gaeco apreendeu telefones celulares e outros itens de armazenamento eletrônico.

"Nas residências de dois dos investigados, foram encontradas munições irregulares e dinheiro em espécie. Já em armários sem identificação na unidade da Polícia Militar, foram localizados simulacros de arma de fogo, munições irregulares, maconha, crack e cocaína", informou o Ministério Público paranaense.

Dono de perfis com mais de 300 mil seguidores somados - entre Instagram e Facebook -, Marcionílio Sancho Cambuhy Junior usa as redes sociais para postar sobre sua rotina na corporação, gravar vídeos durante as operações e dar opiniões sobre assuntos envolvendo a segurança pública.

Em uma das postagens, diz ser uma pessoa ideologicamente voltada à direita e ser "a favor do capitalismo". Em outra postagem, onde aparece como convidado de um podcast, chega a afirmar que "se vagabundo tentar me f..., eu vou levantar cartucho". "Não vou pensar duas vezes. É matar para não morrer".

Em 2022, chegou e concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Paraná como candidato do PROS (o partido foi incorporado pelo Solidariedade em 2023).

O lema da campanha do policial era "Sem massagem, pau na vagabundagem", e prometia "garantir o acesso e o porte de arma de fogo para o cidadão de bem". Ele recebeu 9.128 votos e não foi eleito.