O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) apura se outros policiais estariam envolvidos na morte do empresário Daniel Patrício Santos Oliveira, que foi alvejado por diversos tiros na madrugada da última quarta-feira, 22, durante uma abordagem da Polícia Militar na Pavuna, zona norte da capital fluminense. De acordo com familiares, Daniel foi atingido por 23 disparos.
No último domingo, 26, uma reportagem sobre o caso foi exibida pelo programa Fantástico, da TV Globo, que teve acesso às câmeras corporais de um dos dois policiais envolvidos. As imagens mostra que ambos já monitoravam o carro de Daniel mais de uma hora antes dos disparos e que, em conversas por telefone com uma terceira pessoa, um dos agentes usa os termos "chefe" e "comandante" para se referir ao interlocutor - o que poderia indicar tratar-se de um oficial e de maior patente dentro da corporação.
Nesses diálogos, os agentes na viatura sinalizam para essa terceira pessoa como está o monitoramento sobre Daniel. Os tiros foram dados depois das 3h da madrugada, mas, conforme as imagens, os PMs fazem menção à vítima desde à 1h53.
Em nota, o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Gaesp/MP-RJ) diz que busca "identificar eventuais irregularidades em relação aos protocolos operacionais e apurar a responsabilidade de todos os envolvidos, inclusive os que não estavam presentes na cena do crime".
O órgão da promotoria acompanha o caso e as investigações feitas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro e pela Corregedoria da Polícia Militar do Estado.
Na semana passada, após a análise das imagens das câmeras operacionais portáteis (COPs), o Comando da PM constatou indícios de crime de homicídio doloso por parte dos PMs e determinou a prisão dos policiais. A defesa dos dois não foi localizada.
A reportagem questionou a Polícia Militar sobre os termos que são usados pelos agentes e aparecem nas gravações - "chefe" e "comandante". A corporação, que investiga o caso por meio da Corregedoria, não deu retorno até a publicação do texto. A Polícia Civil afirma que a Delegacia de Homicídio da Capital (DHC) está apurando a ocorrência.
Os vídeos apresentados pela reportagem do Fantástico mostram também o momento dos tiros contra o carro onde Daniel e amigos estavam. Os disparos são feitos à distância e não há uma abordagem prévia antes de o policial militar abrir fogo.
Colegas do empresário, que sobreviveram aos ataques, saem do carro, desesperados, e perguntam ao policial o motivo dos disparos. Chegam a afirmar que Daniel tinha sido atingido na cabeça.
Por mais de um momento, um dos PMs afirma que o carro onde as vítimas estavam chegou a avançar contra a guarnição, justificando que o tiros teriam sido dados por legítima defesa. As câmeras operacionais, no entanto, não mostram que o veículo tenha acelerado na direção da guarnição policial.
Conforme o MP-RJ, o Gaesp enviou um ofício à Polícia Militar pedindo pela preservação das imagens captadas pelas câmeras corporais dos agentes e pela viatura envolvida, e expediu ofício à Central de Inteligência, Vigilância e Tecnologia em Apoio à Segurança Pública (Civitas), da Prefeitura do Rio de Janeiro, para ter acesso às imagens da região onde o crime aconteceu.

