Desaparecimento de primas de 18 anos completa duas semanas no Paraná; suspeito está foragido

O desaparecimento das primas Sttela Dalva Melegari Almeida e Letycia Garcia Mendes, ambas de 18 anos, completa duas semanas nesta terça-feira, 5. As buscas pelas jovens começaram em 23 de abril após as mães registrarem o sumiço delas, em Cianorte, no interior do Paraná. O principal suspeito do caso, Clayton Antonio da Silva Cruz, de 39 anos, é considerado foragido e está sendo procurado pela polícia. A defesa dele não foi localizada.

O último contato das jovens com as famílias ocorreu no fim da noite de 20 de abril, mas, na madrugada do dia 21, a jovem Sttela ainda publicou uma foto em uma rede social na qual o suspeito e ela aparecem - Letycia foi apenas marcada na publicação. "As apurações apontam que o último registro de atividade das vítimas na internet ocorreu na madrugada de 21 de abril. Desde então, não houve mais contato ou localização", afirmou o delegado Luís Fernando Alves Silva, responsável pelo caso.

No boletim de ocorrência, as mães relataram que as filhas disseram que iriam para uma festa em Maringá, que fica a cerca de 80 km de Cianorte. Depois da festa, as garotas tinham a intenção de viajar até Porto Rico, às margens do Rio Paraná, local conhecido pelas praias de água doce. Clayton, que conhecia Letycia, buscou as primas em Cianorte e em Jussara, cidade vizinha, onde mora a família de Sttela. Elas viajaram com o homem em uma caminhonete preta.

Segundo o delegado, o suspeito, que também é foragido por um crime de roubo agravado, usava identidade falsa e se apresentava com o nome de Davi para ocultar a identidade e evitar a ação da Justiça. A investigação também apurou que ele se conectou à internet na manhã de 23 de abril e que, no dia seguinte, teria passado pela cidade de Maringá.

Até o momento, a principal linha de investigação da polícia é a de homicídio. O delegado disse ter reunido fortes indícios, com base em depoimentos, reconhecimento formal e análise de documentos, de que o homem, que tem os apelidos de "Sagaz" e "Dog Dog", tenha praticado sozinho o crime contra as jovens. Por isso, a Justiça decretou a prisão temporária dele em 29 de abril. Também são investigados os crimes de sequestro e cárcere privado. A investigação tramita em sigilo.

Na semana passada, uma força-tarefa das polícia Civil e Militar vasculhou áreas da cidade de Paranavaí, que fica na mesma região, após pistas do paradeiro das garotas. "Estamos trabalhando em conjunto. Demos apoio operacional para fazer buscas em terrenos e locais designados pela Civil. (Nesse dia) acabamos não encontrando nada", explicou Bruna Fernandes, tenente da PM do Paraná.

O setor de inteligência da polícia está analisando dados e imagens de câmeras de segurança de locais que as jovens e o suspeito possam ter passado. Novas diligências em cidades da região não estão descartadas. A Secretaria de Segurança do Paraná determinou que o caso seja tratado como prioridade.

'Coração de mãe diz que estão vivas'

Ana Erli Melegari, mãe da jovem Sttela, esteve com o delegado e investigadores do caso na segunda-feira, 4, mas voltou para casa sem novidades sobre o paradeiro da filha. "Eles dizem que estão trabalhando, fazendo arrastão, checando sinais de celulares, mas é isso que temos até agora", contou a mãe ao Estadão. Ela tem outras duas filhas e um filho. Sttela mora com a mãe e as duas irmãs.

Segundo ela, o suspeito não fazia parte do círculo de amizades de Sttela e era conhecido de Letycia. "A gente descobriu que conheceram ele numa danceteria em Cianorte", disse. "Só queremos as meninas, não importa onde estiverem, que alguém mande uma mensagem, qualquer coisa. Eu não quero saber dele (o suspeito), quero que fale onde estão as meninas, se estão vivas ou mortas", afirmou.

"Passa de tudo na cabeça da gente, né? Minha sobrinha perguntou o que o coração de mãe estava sentindo. Eu falei que meu coração de mãe diz que estão vivas. Mas meu coração de mãe fala que estão sofrendo muito", desabafou Ana. Ela também disse temer que as jovens tenham sido sequestradas para serem exploradas sexualmente.

Ana explicou que conversou pessoalmente com a filha pela última vez no domingo antes do desaparecimento, em um dia normal com familiares reunidos. No dia seguinte, elas se falaram por telefone. "Ela sempre saía com as amigas, com as meninas, mas não deixava de fazer contato pelo celular. Ela e a irmãzinha de dois anos são grudadas. Então, mesmo fora, a gente fazia chamadas de vídeo. Agora, a nenê fica pedindo pela 'tata'", contou a mãe.