Brasil tem muitos atributos para trabalhar a descarbonização, diz embaixador no SPIW

Para o embaixador brasileiro André Corrêa do Lago, o Brasil tem uma grande vantagem em relação a outros países na agenda de combate às mudanças climáticas, com a maioria dos atributos para trabalhar a questão da descarbonização.

"Temos energias renováveis, minérios críticos, mas precisamos de investimentos", avalia Lago, que participou, virtualmente, do painel Clima e Inovação - da COP-30 à COP31 promovido nesta quinta-feira, 14, no São Paulo Innovation Week (SPIW).

Segundo o embaixador, presidente oficial da Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP30), realizada em Belém no ano passado, o Brasil tem uma ótima posição para apresentar e sugerir caminhos para além dos combustíveis fósseis.

O painel foi moderado por Marcelo Araujo, curador do SPIW na área de energia e transição energética.

Ana Toni, CEO da COP30, ligada à Presidência da República, e o empresário Dan Ioschpe, Climate High Level Champion da COP30 e presidente do conselho de administração da Iochpe-Maxion, foram os debatedores convidados.

'É um debate sobre desenvolvimento econômico'

Ioschpe diz que os próximos cinco anos serão de trabalho para implementação de todas as decisões definidas na COP30, com um esforço na relação de setores público e privado. "Temos um inventário de soluções que mostra para onde estamos indo na transição energética."

Para Ana, tem de ser superada a visão das pessoas sobre mudança climática como um nicho ambiental. "Transição energética é importante, mas hoje é um debate sobre desenvolvimento econômico".

Outro ponto debatido foi a aceleração da implementação das soluções discutidas na COP30. Foram mais de 430 iniciativas, com 120 grupos de discussão de soluções, como áreas degradadas e produção de SAF (combustível para aviação), afirma Ioschpe. "O processo segue com reuniões mensais de todos esses grupos."

Ana destaca que a união de governo, setor privado e sociedade mostrou o Brasil como um provedor de soluções em energia, agronegócio e outros setores. "A grande questão é acelerar a implementação dessas soluções."

"O Brasil estava no caminho certo, mas na velocidade errada. Hoje, tem disponível a estrutura de tecnologia e inovação", acrescenta Lago.

Segundo Ana, a COP-30 aprovou os indicadores de como medir os efeitos das mudanças climáticas, mas o setor privado ainda está pouco atuante nisso. É o caso do setor de seguros, que vive de cálculo de riscos.

Já Ioschpe vê a adaptação como grande oportunidade de negócios, em que já se observa uma corrida competitiva em tecnologias.

SPIW

O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, entre esta quarta-feira, 13, e sexta, 15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.