'Futuro dos festivais não será só line-up', diz head do Planeta Atlântida

O futuro dos festivais de música tem a ver com pertencimento, segundo Caroline Torma, head do Planeta Atlântida e diretora-executiva de marketing e entretenimento no Grupo RBS, e Mario Sergio Albuquerque, diretor de festival no Tomorrowland Brasil. Os dois participaram do painel Muito Além do Palco: Branding, Cultura e Pertencimento em Festivais de Música, no São Paulo Innovation Week (SPIW), parceria entre o Estadão e a Base Eventos.

Na mesa, Caroline e Mario apresentaram dados sobre o senso de comunidade criado pelos dois festivais - no caso do Tomorrowland, a nível global; no do Planeta Atlântida, como parte importante da história do Rio Grande do Sul. O evento de música eletrônica tem sua edição brasileira em Itu, no interior de São Paulo, e oferece até hospedagens em barracas para o público. Já o Planeta Atlântida ocorre há 30 anos na praia de Atlântida, em Xangri-Lá (RS).

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Segundo Caroline, mais de 90% do público do festival gaúcho é do Rio Grande do Sul. E oito em cada dez gaúchos consideram o festival como parte da identidade cultural do estado.

"O mundo nunca esteve tão conectado e talvez nunca tenha estado tão solitário", disse a head do evento. 'Em um mundo onde a atenção virou commodity, conexão emocional é um diferencial."

Para ela, "o futuro dos festivais não será definido só por line-up". "Será definido por pertencimento, comunidade, verdade e conexão humana", afirmou.

Tatuagem e livro de ficção

Um dos eventos que foi mais bem-sucedido ao construir uma comunidade foi o Tomorrowland, hoje maior festival de música eletrônica do mundo, criado na Bélgica. Há pessoas que até possuem tatuagem com o símbolo do festival.

E tudo isso vem de várias frentes, contou Mario Sergio Albuquerque. O festival tem uma marca de mobiliário inspirada nos palcos gigantescos e lúdicos do evento. Também há velas com "o cheiro que você sente ao entrar no Tomorrowland", como descreveu o diretor do festival, e até livros de ficção inspirados no universo do evento. "Nós mantemos a marca conectada com pessoas que ainda não têm idade para ir ao festival", disse Mario.

Segundo ele, esse sistema não foi replicado no Brasil por "estratégias de negócios", mas "o objetivo é trazer 70% dessa operação". Mario anunciou que, no próximo ano, o festival vai trazer o Tomorrowland Academy, plataforma educacional oficial do festival que oferece cursos para DJs e produtores musicais, ao País.

Em 2027, o festival mudou a data para o fim de abril por conta de um incêndio que atingiu o palco principal do evento na Bélgica no ano passado. O palco, símbolo do evento, não é apenas replicado por aqui: 110 contêineres viajam pelo mundo para repetir a experiência do Tomorrowland em suas várias edições.

Mario afirmou que o Tomorrowland é o festival com mais engajamento nas redes no mundo - na Bélgica, os números batem de frente com eventos como o Grande Prêmio da Bélgica. "O Tomorrowland, bem ou mal, é a porta de entrada da música eletrônica para muita gente."

São Paulo Innovation Week

O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, até esta sexta-feira, 15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.