Intransferível, dinâmico e adaptativo, diz Paulo Niemeyer sobre o cérebro humano no SPIW

Há diversos órgãos que podem ser doados sem afetar nossa noção de identidade e percepção de nós mesmos. Esse não é, contudo, o caso do cérebro, diz o neurocirurgião Paulo Niemeyer, diretor do Instituto Estadual do Cérebro do Rio de Janeiro. Durante o painel No Labirinto do Cérebro, que aconteceu nesta sexta-feira, 15, no São Paulo Innovation Week, que é o festival global de tecnologia e inovação realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, ele se dedicou a falar do chamado órgão mais complexo do corpo humano.

Ao longo da apresentação, Niemeyer abordou alguns dos temas de seu livro, lançado em 2020 (Objetiva) e que leva o mesmo nome do painel, pincelando temas como o funcionamento cerebral, a formação da memória e alguns distúrbios ligados a ela.

Descrevendo o cérebro como um órgão intransferível, dinâmico e adaptativo, o neurocirurgião enfatiza sua capacidade de se estruturar em função de novas exigências ambientais, produzindo novos neurônios e sinapses.

No SPIW, Niemeyer conduz uma viagem histórica sobre o estudo científico do cérebro e seu funcionamento. Citando alguns casos clínicos icônicos da neurociência, ele compartilha também alguns marcos importantes e contribuições de ganhadores do Prêmio Nobel para que o pensamento avançasse a respeito do que se conhecia ou se supunha sobre o órgão.

Nessa mesma linha, também compartilha avanços tecnológicos na área. É o caso da tomografia, que ele descreve como o primeiro exame a mostrar os órgãos. "De lá para cá, a medicina entrou em fase que chamamos de medicina baseada em imagens", diz.

O próximo passo, explica, foi a chegada da ressonância, que permitiu estudar fascículos cerebrais e ver as várias conexões que se formam no cérebro. "É praticamente uma biópsia virtual, dando pistas cada vez mais precisas sobre condições que acometem o cérebro".

Cirurgias de alta complexidade

Dirigindo o Instituto Estadual do Cérebro do Rio de Janeiro, criado em 2013, Niemeyer conta que hoje o espaço tem cerca de 100 leitos para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e realiza mais de 2.000 cirurgias por ano, considerando casos complexos.

Ele também destaca o investimento em tecnologia de ponta, e cita como exemplo o Gamma Knife, aparelho utilizado em cirurgias cerebrais, dispensando necessidade de cortes na caixa craniana. Segundo informações da Cleveland Clinic, o equipamento geralmente é empregado em condições como pequenos tumores cerebrais e formação incomuns de artérias e veias cerebrais.

Já sobre cirurgias de alta complexidade que fizeram parte da história do Instituto, ele cita o dos gêmeos siameses separados pelo crânio, em 2022. A cirurgia, que levou 23 horas, teve a participação do neurocirurgião Gabriel Mufarrej, que também palestra no SPIW.

SPIW nos CEUs no fim de semana

O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, até esta sexta-feira, 15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.

No fim de semana, o festival leva uma série de eventos paralelos (side events) gratuitos para quatro Centros Educacionais Unificados (CEUs) da cidade, em parceria com a Prefeitura de São Paulo. São eles: Heliópolis, Freguesia do Ó, Papa Francisco (Sapopemba) e Silvio Santos (Cidade Ademar). Não é necessário fazer inscrição; o acesso será por ordem de chegada, sujeito à lotação dos espaços. A programação gratuita reúne nomes como Marcelo Gleiser, Maria Homem e Ivair Gontijo em debates e experiências imersivas.