'Tecnologia na mobilidade não significa só mover pessoas mais rápido', diz coordenadora do WRI

Projetos no Brasil e no mundo têm incorporado soluções tecnológicas para qualificar o espaço urbano e melhorar a mobilidade ativa (a pé, por bicicleta, patinete e outros), mas especialistas veem necessidade de mudar a forma de planejar novas infraestruturas e de maior articulação política para descarbonizar, incorporando materiais mais sustentáveis.

"É muito importante falarmos de mobilidade num evento de inovação. Tecnologia na mobilidade não significa só mover as pessoas mais rápido, de forma mais eficiente, mas também garantir acesso às oportunidades, ao direito à cidade", diz a coordenadora de mobilidade ativa do WRI Brasil, Ariadne Samios.

Ariadne participou da mesa Mobilidade é acesso, promovida na tarde desta sexta-feira, 15, no São Paulo Innovation Week, festival global de tecnologia e inovação realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos.

A executiva dividiu o palco com o diretor do Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Romildo Dias Toledo, e com a mediadora Eleonora Pazos, da União Internacional de Transporte Público.

A coordenadora do WRI citou como exemplo um projeto de micromobilidade da prefeitura de Fortaleza, que está testando o uso de triciclos elétricos para pequenos deslocamentos de populações vulneráveis e de mobilidade reduzida, como mães atípicas, idosos e crianças. Em mais de mil viagens realizadas, solicitadas por um aplicativo, essas pessoas passaram a acessar mais facilmente uma série de equipamentos de saúde, lazer e assistência social.

"Realmente transforma a vida das pessoas ter deslocamento seguro, conveniente e eficiente", diz. Segundo a urbanista, "muitas vezes, caminhar não é uma opção, é a única alternativa que as pessoas têm de deslocamento. É a forma mais universal de acessar a cidade".

Por isso, promover a mobilidade ativa como um elemento-chave contribui para reduzir as desigualdades na cidade.

Uso da inovação

Para Toledo, a inovação ainda precisa de impulso para ser incorporada ao planejamento e construção de novas infraestruturas de transporte.

Ele explica que a decisão por certos tipos de materiais ou pavimentos tem "carbono embutido", mas há alternativas que geram menos emissões. É preciso mudanças nas normas e incentivos para que sejam usadas.

"Num primeiro momento, a readaptação da indústria por essas novas tecnologias pode ficar mais cara. Mas, com certificados de carbono, por exemplo, você pode compensar", diz o professor.

Também há novos materiais construtivos mais resilientes à mudança do clima, com menor necessidade de reconstrução e adaptação.

"É preciso que as cidades mudem a forma de planejar essa nova infraestrutura. E é preciso revisar as normas que foram feitas no momento em que as questões climáticas eram outras. Não dá mais, você não está projetando mais para o clima daquela época, mudou", afirma o professor.

São Paulo Innovation Week

O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, até esta sexta-feira, 15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.

No fim de semana, o festival leva uma série de eventos paralelos (side events) gratuitos para quatro Centros Educacionais Unificados (CEUs) da cidade, em parceria com a Prefeitura de São Paulo. São eles: Heliópolis, Freguesia do Ó, Papa Francisco (Sapopemba) e Silvio Santos (Cidade Ademar). Não é necessário fazer inscrição; o acesso será por ordem de chegada, sujeito à lotação dos espaços. A programação gratuita reúne nomes como Marcelo Gleiser, Maria Homem e Ivair Gontijo em debates e experiências imersivas.