'Passageiro usará transporte público sem nenhum contato para pagamento', diz CEO da Autopass

O sistema de bilhetagem eletrônica do transporte público já passou por algumas pequenas revoluções nos últimos anos. Primeiro, foram os cartões, tipo Bilhete Único usado em São Paulo, e que também estão disponíveis em boa parte das cidades do País.

Mais recentemente, chegou a tecnologia chamada EMV (Europay, Mastercard e Visa, padrão internacional que garante segurança nas transações eletrônicas), que permite o pagamento por aproximação diretamente nas catracas e validadores usando cartões bancários, celulares, smartwatches ou outros dispositivos com NFC, sem necessidade de comprar passagem antecipadamente ou utilizar apenas um cartão de transporte específico. Na prática, o EMV transforma o próprio cartão de débito, crédito ou celular do passageiro em um meio de acesso ao transporte.

Mas, quando se fala em tecnologia e disrupção, o céu é sempre o limite. De acordo com Bruno Berezin, CEO da Autopass, "daqui a cinco anos, o passageiro vai poder embarcar num ônibus ou metrô e pagar a sua tarifa sem contato algum". Ou seja, não será preciso ter à mão cartão de débito ou crédito, Bilhete Único ou outro cartão, celular com carteira digital ou smartwatch.

Esse foi um dos temas debatidos no painel O Futuro da Mobilidade Urbana no Brasil, que também teve a participação de Vincen Molina, da Atman Systems, e mediação de Willian Rigon, da plataforma Connected Smart Cities, durante o São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, nesta sexta, 15.

Segundo Berezin, o futuro da mobilidade urbana será muito mais fácil e fluida. "Para o usuário, resultará numa jornada ininterrupta e mais rápida. Para o sistema trará mais transparência, rapidez e segurança", diz o CEO da Autopass.

'Conectividade embarcada será essencial'

Para que isso aconteça conforme se espera, no entanto, é preciso investir em tecnologia. "Conectividade embarcada nos veículos será indispensável. Só assim o sistema poderá garantir a segurança necessária para todos os envolvidos no sitema", explica o executivo.

Nesse ponto, ele lembra que a participação do poder público é fundamental. "Às vezes, um projeto demora de dois a três anos para ser desenvolvido", diz. Portanto, acrescenta Berezin, é importante que haja convergência de ações com o poder publico para que a implementanção de novas soluções ganhem velocidade.

20% do mercado nacional

A Autopass, de acordo com Berenzin, é uma companhia 100% nacional. "Somos a quarta maior empresa de bilhetagem do mundo. No Brasil, temos 20% do mercado", diz.

De acordo com a empresa, ela está presente nas principais regiões metropolitanas do País (como nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro), com operação em mais de 50 municípios. "No total, são 17 aplicativos diferentes, como o TOP, na Grande São Paulo, e o Jaé, no Rio de Janeiro", diz o CEO da Autopass. "E para cada um temos que incorporar as particularidades oferecidas pelas respectivas gestões municipais, como as gratuidades, por exemplo."

Ainda segundo dados da empresa, ela está presente em mais de 190 estações de trens e metrô e mais de 17 mil ônibus com validadores. Além de ter mais de operar 1.200 máquinas de autoatendimento (ATMs).

O São Paulo Innovation Week, realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, encerra sua programação no Pacaembu e na Faap nesta sexta-feira, 15, e segue para quatro Centros Educacionais Unificados (CEUs) ao longo do fim de semana. São eles: Heliópolis, Freguesia do Ó, Papa Francisco (Sapopemba) e Silvio Santos (Cidade Ademar).

Não é necessário fazer inscrição; o acesso será por ordem de chegada, sujeito à lotação dos espaços. A programação gratuita reúne nomes como Marcelo Gleiser, Maria Homem e Ivair Gontijo em debates e experiências imersivas.