Transição para tecnologia de baixo carbono abre portas para liderança do Brasil, diz diplomata

A mudança do clima é cada vez mais evidente: o aumento da temperatura global se acentuou de maneira mais acelerada nas últimas duas décadas, provocando eventos extremos cada vez mais recorrentes e ameaçando os processos de equilíbrio climático no planeta, os chamados "tipping points". Diante de um dos maiores dilemas existenciais à vida na Terra, os países precisam adotar tecnologias de baixo carbono o quanto antes para reduzir emissões de gases de efeito estufa e capturar CO² (remoção desses gases da atmosfera para reduzir o aquecimento global).

Para o diplomata e negociador climático Pedro Ivo Ferraz da Silva, esse desafio também traz oportunidades para países como o Brasil. Ele aponta que o País ainda tem chance de assumir a liderança em tecnologias ainda em etapa pré-comercial, como gaseificação de biomassa, eletrolisadores (para a produção de hidrogênio verde) e combustível sustentável de aviação (SAF).

"Temos oportunidades muito concretas, por exemplo no que diz respeito ao combustível de aviação sustentável, o SAF. O Brasil, em função da sua capacidade com biotecnologia, biocombustíveis, acho que pode dominar esse mercado ao oferecer soluções de baixa emissão de querosene de aviação, por exemplo", disse ao Estadão. O diplomata palestrou nesta sexta-feira, 15, sobre o tema Inovação Tecnológica e Mudança do Clima: o Legado da COP30, no São Paulo Innovation Week.

Legado da COP-30

O diplomata assumiu neste ano a presidência do comitê de tecnologia da ONU sobre mudança do clima (UNFCCC), marcando a primeira vez do Brasil à frente do órgão. O comitê produz análises e recomendações voltadas ao desenvolvimento e transferência de tecnologias para enfrentar a mudança climática, reunindo especialistas indicados por países desenvolvidos e em desenvolvimento. Atua em áreas como inovação, tecnologias emergentes, capacitação, financiamento e fortalecimento de ecossistemas tecnológicos.

Silva identifica ainda muitos empecilhos para a adoção dessas tecnologias, um deles sendo a concentração da capacidade de desenvolvimento e produção em poucos países. Para solucionar esse problema, destaca a criação de uma aliança global de países em desenvolvimento para acelerar o empreendedorismo verde e as tecnologias "limpas", a Global South Cleantech Entrepreneurship Alliance (GSCEA), lançada durante a COP-30 no Brasil. O objetivo, segundo ele, é "explorar sinergias, agregar demandas, internacionalizar soluções de países com desafios muito mais comuns".

SPIW nos CEUs no fim de semana

O São Paulo Innovation Week, festival de inovação realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, encerrou sua programação no Pacaembu e na Faap na sexta-feira (15) e segue para quatro Centros Educacionais Unificados (CEUs) ao longo do fim de semana. São eles: Heliópolis, Freguesia do Ó, Papa Francisco (Sapopemba) e Silvio Santos (Cidade Ademar).

Não é necessário fazer inscrição; o acesso será por ordem de chegada, sujeito à lotação dos espaços. A programação gratuita reúne nomes como Marcelo Gleiser, Maria Homem e Ivair Gontijo em debates e experiências imersivas. A segunda edição do São Paulo Innovation Week já está confirmada para 2027: será de 4 a 7 de maio, novamente no Pacaembu e na Faap.