Velório de Noca da Portela reúne família e amigos na quadra da escola

Corpo do baluarte será cremado às 16h desta terça-feira (19), no Caju

Velório de Noca da Portela acontece na quadra da escola de samba em Madureira
Velório de Noca da Portela acontece na quadra da escola de samba em Madureira -
Rio - Familiares, amigos e fãs se reuniram no velório de Noca da Portela, na quadra da azul e branco em Madureira, na Zona Norte, na manhã desta terça-feira (19). O baluarte morreu no último domingo (17) no Hospital Assim Medical, em São Cristóvão, onde tratava de uma infecção pulmonar. Ele chegou a ficar mais de 15 dias internado.
Durante a despedida, o caixão do compositor foi coberto por uma bandeira da Portela e por um chapéu personalizado que costumava usar. O sambista também recebeu dezenas de coroas de flores, incluindo do prefeito Eduardo Cavaliere e de outras escolas de samba. 

Para os netos Danielle Corrêa e Noca Neto, o legado deixado pelo avô vai além da música. Em meio às homenagens, eles destacaram o reconhecimento que o compositor recebeu em vida.
"O legado dele é de amor. Ele falava que o samba é amor, né? É o alimento do corpo e da alma dele. Tenho muita gratidão por tudo que ele fez, por todas as músicas. Então, eu acho que o legado musical e cultural dele é importante", afirmou Noca Neto.

"Meu avô sempre bateu na tecla de flores em vida. Poderia ter recebido mais reconhecimento, mas recebeu flores em vida por todos aqueles que ele ajudou. Então, hoje eu estou me sentindo abraçada. Foram muitas mensagens de carinho, de gratidão. Eu acho que ele alcançou o que ele queria, o que para ele já era o suficiente, que é o espaço na música, na cultura, na política, e ter o nome dele reconhecido. Ele sempre falava, que por ser um homem negro, você falar o nome dele e a pessoa saber quem é já era um reconhecimento", disse Danielle.

A neta do artista acrescentou ainda que devido a toda a sua trajetória, o nome de Noca da Portela será imortal. "Ele falava muito isso pra gente: 'O que importa é quem eu sou, eu sei meus valores, eu sei onde eu piso, eu sei entrar, eu sei sair'. Então eu acredito que ele se sentia reconhecido. Hoje a gente não tem um reconhecimento assim global, de mídia, mas o reconhecimento pelo que ele fez pelo Brasil, pelo samba e pela cultura é um reconhecimento. O nome dele vai ser imortal", frisou.
Além de familiares, o cantor e compositor Marquinho de Oswaldo Cruz prestou homenagens ao baluarte.

"O samba é uma espécie de curso da ancestralidade, o que é muito legal. E a geração do seu Noca e do Monarco foi uma ponte com a gente, com as gerações que vivem hoje. Eles, esse tipo de sambista, que vai fazer muita falta, mais ligado às tradições, fizeram com que essa ancestralidade e todo esse legado chegassem até a gente. Cabe, hoje, às pessoas terem a responsabilidade de manter o legado deles", relatou

Marquinhos também lamentou a falta de valorização do samba e destacou a importância do gênero para a cultura brasileira.
"O samba é tão importante que, de tudo que vem da África, as pessoas falam muito do candomblé da Bahia, que manteve essa ancestralidade. Mas algo paralelo ao candomblé é o samba. Por ser uma coisa tão popular, tão nossa, acaba não sendo valorizada como deveria. Talvez, se fosse um compositor de jazz ou de blues, as pessoas teriam dado muito mais valor. E eu digo com o coração apertado e, ao mesmo tempo, com alegria nesse momento, que o samba não perde nada nem para o blues, nem para o jazz. Perde simplesmente no respeito que as pessoas não dão", declarou.
O corpo de Noca será cremado às 16h desta terça-feira (19), no Crematório São Francisco Xavier.
*Matéria da estágiaria Ágatha Araújo e Ana Fernanda Freire