Em abril, mês em que entraram em vigor os reajustes anuais dos fármacos autorizados pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), os preços dos medicamentos negociados entre fornecedores e hospitais brasileiros registraram alta média de 0,78%. Trata-se de uma aceleração de 1,26 ponto porcentual sobre a queda de 0,48% registrada em março.
É o que mostra o Índice de Preços de Medicamentos para Hospitais (IPM-H), desenvolvido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) com base em dados transacionais da plataforma Bionexo Tasy.
Apesar do avanço verificado em abril, o aumento no ambiente hospitalar ficou abaixo da alta observada no varejo farmacêutico no mesmo período. Segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo IBGE, os produtos farmacêuticos vendidos em farmácias e drogarias avançaram 1,77% em abril.
De acordo com a Fipe e a Bionexo, a alta mais modesta dos preços no ambiente hospitalar reflete dinâmicas próprias de negociação entre hospitais e fornecedores. É importante considerar que IPM-H e IPCA acompanham mercados distintos. Enquanto o IPCA monitora os preços pagos pelos consumidores no varejo farmacêutico, o IPM-H acompanha transações de medicamentos entre fornecedores e hospitais.
Os dois indicadores analisam universos diferentes de produtos e operam sob dinâmicas próprias de negociação, contratos, estoques e repasses de preços, o que pode resultar em comportamentos distintos diante dos reajustes autorizados pela CMED.
Para o diretor-executivo da Bionexo Tasy, Herbert Cepêra, o resultado reforça o amadurecimento das relações comerciais no ambiente hospitalar. "Os reajustes autorizados pela CMED não se traduzem automaticamente em aumentos lineares para o mercado hospitalar. O comportamento observado mostra que hospitais e fornecedores seguem operando em uma dinâmica própria, marcada por negociações, contratos, gestão de estoques e maior eficiência operacional", diz.
Mesmo no mês de entrada em vigor dos reajustes regulatórios, afirma Cepêra, o avanço registrado no mercado hospitalar ficou abaixo do observado no varejo farmacêutico.
No acumulado de 12 meses, a diferença entre os dois mercados se torna ainda mais evidente. Enquanto os produtos farmacêuticos acompanhados pelo IPCA acumulam alta de 5,18%, os preços de medicamentos negociados entre fornecedores e hospitais registram retração de 5,96% no mesmo período.
Além do ambiente de negociação hospitalar, o cenário cambial também contribuiu para conter pressões sobre os preços no período. Dados do Banco Central mostram que a moeda brasileira acumulou apreciação de 12,98% em 12 meses até abril, movimento que tende a aliviar custos relacionados a medicamentos importados, insumos e princípios ativos importados, cotados em dólar.
Para Bruno Oliva, economista e pesquisador da Fipe, o resultado reforça que os reajustes regulatórios não se traduzem automaticamente em repasses integrais ao mercado hospitalar. "A leitura de abril mostra que os limites autorizados pela CMED não se traduzem, necessariamente, em repasses automáticos ou integrais nas transações entre fornecedores e hospitais", diz.
A diferença em relação ao varejo farmacêutico, segundo o economista, também evidencia que o segmento hospitalar opera sob uma dinâmica própria, influenciada por negociações comerciais, contratos, estoques e cenário cambial.
Entre os grupos terapêuticos que registraram as maiores altas em abril estão preparados hormonais, com aumento de 1,79%; sistema nervoso, 1,40%; aparelho respiratório, 1,23% e imunoterápicos, vacinas e antialérgicos, com alta de 1,09%. Já as maiores retrações ocorreram em aparelho digestivo e metabolismo, 1,33%; sistema musculoesquelético, 1,12% e sangue e órgãos hematopoiéticos, com queda de 0,33%.

