Justiça dos EUA condena ex-marido por planejar morte de galerista no Rio

A pena do acusado, Daniel Sikkema, ainda vai ser definida

Brent Sikkema foi encontrado morto em sua casa em janeiro no Jardim Botânico
Brent Sikkema foi encontrado morto em sua casa em janeiro no Jardim Botânico -

O ex-marido do galerista Brent Sikkema, assassinado a facadas em janeiro de 2024 no Jardim Botânico, na zona sul do Rio de Janeiro, foi condenado nos Estados Unidos como mandante do crime. A pena do acusado, Daniel Sikkema, ainda vai ser definida. A informação, divulgada inicialmente pelo Wall Street Journal, foi confirmada ao Estadão por advogados que atuaram no caso.

 

A defesa de Daniel, que alega sua inocência, aguarda a fixação da pena para decidir sobre eventual recurso. A promotoria pediu prisão perpétua alegando a gravidade do crime.

 

Dono de uma fortuna que inclui imóveis nos Estados Unidos, em Cuba e no Brasil, Brent Sikkema foi morto aos 75 anos pelo cubano Alejandro Triana Prevez, que está preso. De acordo com o Ministério Público do Rio de Janeiro, Alejandro apontou Daniel Carrera Sikkema, que é cubano e americano naturalizado, como cúmplice e mandante do crime.

 

Brent era um importante galerista de Nova York e fundador da galeria Sikkema Jenkins, conhecida por representar artistas como Vik Muniz e Kara Walker.

 

O júri federal que deu a sentença nesta sexta-feira, 22, considerou Daniel culpado de conspirar contra a vítima, arquitetar sua morte e contratar um assassino para matar o galerista que estava passando férias na segunda residência do casal, no Rio. Na ocasião, Daniel construiu um álibi, permanecendo com o filho do casal em Nova York.

 

O motivo do crime seria a exclusão de Daniel do testamento de Brent, em maio de 2022. Na época, o ex-marido a entrou com ação de divórcio contra Brent na Corte Suprema do Condado de Nova York. O envio do testamento ao processo foi registrada no dia 2 de maio daquele ano. Os dois estavam casados desde dezembro de 1993, mas já havia a separação de fato desde janeiro de 2022.

 

Segundo o jornal americano, Daniel não demonstrou emoção quando o veredicto foi lido, nem ao ser conduzido para fora do tribunal federal de Manhattan, no Distrito Sul de Nova York. O filho, que atualmente tem 15 anos, não compareceu à leitura do veredicto.

 

Alejandro está preso no Brasil e aguarda julgamento.

 

Conforme a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro, Alejandro havia trabalhado para o casal - Brent e Daniel - quando ainda morava em Cuba. Quando emigrou para o Brasil, em 2022, ele ficou desempregado e foi contratado por Daniel para matar o ex-patrão.

 

Ele passou a receber um auxílio financeiro, que chegou a 1,8 mil dólares, e teve a promessa de receber 200 mil dólares após a execução do combinado.

 

Entenda o caso

 

Na noite do crime, Alejandro foi até a casa de Brent, certificou-se de que o americano estava sozinho e, usando as chaves fornecidas por Daniel, invadiu o imóvel. O cubano usou uma faca retirada de um faqueiro, na cozinha, para matar o galerista em sua cama, com várias facadas. Em seguida, ele lavou a arma e recolocou no faqueiro. Antes de deixar a casa, furtou 40 mil dólares e 30 mil reais que estavam sobre uma cômoda.

 

O caso teve grande repercussão no Brasil. A Justiça do Rio chegou a pedir que Daniel fosse deportado para responder pelo crime no Brasil. Pouco tempo depois, o caso começou a ser investigado pela polícia americana e pelo FBI. O advogado Gregório Andrade, que atuou na defesa de Alejandro até 2024 e ainda recebe notificações judiciais do processo, diz que a condenação do mandante é justa. "É um caso complexo, transnacional, grave como todo crime desse tipo."