Além da programação artística e dos debates sobre inteligência artificial, comunicação, audiovisual, games, música e inovação, o Rio2C reforçou seu papel como ambiente estratégico de negócios. Foram realizadas 1.650 reuniões de mercado, com 366 players da indústria e 1.301 inscrições em pitchings [apresentações de projetos] voltados ao audiovisual, editorial, música e soluções tecnológicas.
A edição de 2026 também marcou um momento de fortalecimento institucional da cultura como política de desenvolvimento econômico. Ao longo da semana, o governo federal anunciou a inclusão da cadeia produtiva do audiovisual no programa Nova Indústria Brasil (NIB), iniciativa coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em parceria com o Ministério da Cultura.
Batizado de Programa da Nova Indústria do Audiovisual Brasileiro, o plano prevê linhas de crédito específicas, estímulo à exportação de produções nacionais e articulação com instituições financeiras públicas como o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Finep, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
Durante o anúncio, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, destacou o peso econômico do setor:
“O audiovisual representa hoje 0,6% do PIB brasileiro. É maior do que setores industriais tradicionais, como a indústria têxtil, e emprega mais do que a indústria automotiva”, afirmou.
Ministério da Cultura
O debate sobre cultura como vetor econômico também esteve no centro da programação do palco MinC Conecta, primeiro espaço próprio do Ministério da Cultura dentro do Rio2C. O ambiente reuniu discussões sobre inteligência artificial, fomento cultural, audiovisual, sustentabilidade e economia criativa.
Em uma das mesas mais concorridas do evento, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, defendeu a cultura como área estratégica para o desenvolvimento nacional e apresentou dados inéditos sobre os impactos econômicos da Lei Rouanet:
“Estamos mostrando que a cultura gera resultado econômico concreto. Uma pesquisa da Fundação Getulio Vargas mostrou que os R$ 3 bilhões investidos via patrocínio movimentaram R$ 25,7 bilhões na economia brasileira em 2024, além da geração de 228 mil postos de trabalho e R$ 3,8 bilhões em tributos arrecadados”, afirmou.
A ministra destacou ainda que o Brasil vive um processo de reconstrução das políticas culturais após anos de descontinuidade institucional:
“Havia uma falta de vontade política de resolver questões estruturais da cultura. Agora estamos mudando isso completamente. Cultura é indústria, é mercado, é geração de emprego, mas também é identidade, pertencimento e desenvolvimento humano”, disse.
Margareth Menezes também ressaltou a importância da qualificação profissional e da retomada do ensino de artes nas escolas como parte de uma estratégia de fortalecimento da indústria cultural brasileira:
“O povo brasileiro é altamente criativo. Temos histórias potentes, diversidade cultural e capacidade produtiva enorme. Precisamos investir cada vez mais nisso, qualificar pessoas e garantir que essa potência se transforme também em desenvolvimento econômico”, afirmou.
Tela Brasil
Outro destaque da semana foi o lançamento oficial da plataforma Tela Brasil, streaming público e gratuito dedicado ao audiovisual brasileiro. A iniciativa é coordenada pelo Ministério da Cultura em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e terá acesso integrado ao Gov.br.
A plataforma estreou com 555 obras audiovisuais nacionais, entre curtas, longas, séries e telefilmes, incluindo clássicos como Central do Brasil, Cidade de Deus, Xica da Silva, A Hora da Estrela e Deus e o Diabo na Terra do Sol.
Durante a cerimônia de lançamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a plataforma representa uma ferramenta de soberania cultural:
“A Tela Brasil vai contribuir para a compreensão de um país chamado Brasil. O mais importante é a gente conhecer o nosso país por dentro, conhecer a nossa cultura e entender a razão das coisas que fizeram a gente chegar onde chegamos”, declarou.
O presidente também criticou o excesso de conteúdos estrangeiros consumidos no país e defendeu maior acesso da população às produções nacionais:
“A quantidade de enlatados de má qualidade que a gente é obrigado a assistir não permite que a juventude brasileira tenha acesso à plenitude da cultura brasileira”, afirmou.
Segundo a ministra Margareth Menezes, um dos principais objetivos da plataforma é democratizar o acesso à produção audiovisual nacional:
“Ainda temos um gargalo muito grande na distribuição. O povo brasileiro precisa acessar aquilo que produzimos sobre nós mesmos. Quando um povo se vê e conhece sua própria história, ele se fortalece”, disse.
Para Rafael Lazarini, idealizador do Rio2C e fundador da Da20 Entertainment, o evento vive hoje um momento de maturidade institucional e de reconhecimento da economia criativa como agenda estratégica para o país.
“A edição de 2026 foi marcada pela confirmação da internacionalização do Rio2C e pelo fortalecimento institucional do projeto. O Rio2C se posciona hoje como um evento setorial de ponta”, afirmou.

