O DIA chega aos 75 anos como um dos jornais mais influentes do país

Da impressão em chumbo ao universo digital, jornal carioca travessou gerações sem perder relevância nem proximidade com o público

O Dia chega aos 75 anos com uma trajetória marcada por credibilidade, inovação e proximidade com o leitor
O Dia chega aos 75 anos com uma trajetória marcada por credibilidade, inovação e proximidade com o leitor -
Em 5 de junho de 1951, quando o Rio de Janeiro ainda era a capital do Brasil e contava com pouco mais de dois milhões de habitantes, nascia um jornal com a cara da cidade. Fundado por Ademar de Barros, O DIA completa 75 anos e celebra a sua capacidade de permanecer relevante, resistir às transformações do mercado e seguir em constante evolução, sempre próximo dos leitores cariocas.
Durante sete décadas e meia, o jornal percorreu uma trajetória marcada pela adaptação. Deixou para trás o chumbo das antigas oficinas gráficas, migrou para as telas dos celulares, criou seu portal de notícias e expandiu sua presença para as mais diversas plataformas digitais. Em uma frase, sua história pode ser resumida assim: O DIA tem idade, mas não envelheceu. Ao contrário, continua se reinventando e acompanhando as mudanças para estar sempre moderno.
O contraste de tudo mostra como a história foi percorrida . O som das linotipos, o cheiro da tinta fresca, as pesadas placas de chumbo e a distribuição das notícias exclusivamente nas bancas deram lugar a uma produção integrada com portal, redes sociais, vídeos, newsletters e inúmeros conteúdos multiplataforma. O papel deixou de ser o único meio e a informação passou a chegar ao público em tempo real, onde quer que ele esteja. Os canais se multiplicaram, mas o compromisso com o leitor é o mesmo.

A modernização como marca permanente

No O Dia, se adaptar virou método. Um dos momentos mais emblemáticos dessa trajetória ocorreu em 1992, com a inauguração do parque gráfico de Benfica, na Zona Norte do Rio de Janeiro. O espaço foi palco de um marco histórico para o jornalismo fluminense: a primeira impressão totalmente colorida, conhecida como “full color”. Inicialmente, eram produzidos 50 mil exemplares por dia. Apenas um mês depois, a circulação já se aproximava de 300 mil exemplares diários, alcançando a marca de 1,3 milhão de jornais distribuídos aos domingos.
Em 1996, o jornal lançou o O DIA Online, seu portal de notícias, ampliando a presença da marca na internet. Nos anos seguintes, passou a distribuir conteúdo em plataformas como Facebook, Instagram, X, YouTube e TikTok, aproximando-se de públicos de diferentes perfis e faixas etárias.
Essa trajetória de inovação e relevância foi reconhecida com algumas das mais importantes premiações do jornalismo brasileiro e internacional, entre elas os prêmios Esso, Vladimir Herzog, Embratel e o da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP). Tais credenciais refletem a credibilidade construída e que sempre caminhou lado a lado com uma linguagem direta, acessível e próxima de seus leitores.

Quem acompanhou a virada por dentro guarda cada etapa na memória. Abelardo Silva Filho, de 64 anos, contratado em agosto de 1984 e hoje supervisor da produção impressa, narra a transição: “Na época da Rua Riachuelo, onde ficava a sede, era tudo preto e branco. Os leitores comentavam nas ruas que botavam o jornal debaixo do braço, e a roupa ficava suja (risos). Depois viemos para Benfica, com a Headliner, que já fazia o jornal colorido. Depois veio a News Liner, e precisamos fazer curso de inglês e viajar para os Estados Unidos para aprender a mexer. Mas ficou uma sensação de dever cumprido, foi gratificante.”
O episódio das cores é hoje uma metáfora do presente: a cada nova tecnologia, a redação volta a aprender, antes diante de máquinas importadas, agora diante de algoritmos, formatos digitais e do consumo em tempo real. A lógica é a mesma de quatro décadas atrás: incorporar a ferramenta sem abrir mão do ofício.

A voz do comando

Para quem dirige a empresa hoje, o aniversário é menos sobre o passado do que sobre o que vem adiante. O presidente do Grupo O DIA de Comunicação, Thiago Feitosa, lê a data como um pacto renovado: “Os 75 anos do Jornal O DIA representam muito mais do que a longevidade de uma marca. Representam a construção diária de uma relação de confiança com milhões de leitores, baseada na credibilidade, na proximidade com a população e no compromisso permanente com o jornalismo de qualidade.”
O olhar está fixo no horizonte. “Celebramos esses 75 anos com orgulho, mas, acima de tudo, com senso de responsabilidade. O legado construído por O DIA nos inspira a continuar investindo em jornalismo profissional, em inovação e em novas formas de conexão com a audiência. Mais do que contar a história do Rio de Janeiro, queremos continuar ajudando a construir o seu futuro”, afirma Feitosa.
Publisher e representante dos acionistas, Nuno Vasconcellos enxerga na marca uma raridade institucional. “Isso não é apenas uma marca no calendário. É uma conquista rara e reservada apenas a instituições capazes de atravessar gerações sem perder sua relevância”, define. Para ele, o que sustentou a travessia foi uma escolha de método: “O jornalismo só faz sentido quando está próximo das pessoas, quando a vida do jornal se confunde com a de seus leitores.”
Foi essa bússola, sustenta, que permitiu sobreviver à virada digital que derrubou tantos concorrentes: “Muitas empresas não tiveram fôlego ou visão para acompanhar essa evolução. Nós tivemos. O DIA escolheu um caminho diferente: preservar sua essência enquanto se reinventava.” Hoje, descreve, o jornal é um veículo multiplataforma que leva notícia em tempo real “sem renunciar aos princípios que construíram nossa reputação: credibilidade, independência editorial, proximidade com o público e compromisso com os fatos”.
Vasconcellos crava um número para medir o alcance atual do projeto: “Temos o orgulho de ser uma das poucas plataformas de mídia digital com presença jornalística local em todos os municípios do Estado do Rio de Janeiro. Isso mesmo: em todos os 92 municípios!” E fecha com a promessa que dá o tom da celebração: “75 anos são motivo de orgulho. Mas o melhor de O DIA ainda está por vir.”
Vice-presidente do grupo, Marcos Rezende costura tradição e atualidade ao traduzir o significado da data: “Falar dos 75 anos do DIA é falar de história, de tradição e de conexão com o povo carioca. São décadas acompanhando de perto a vida da população, contando histórias, registrando acontecimentos importantes e fazendo parte do dia a dia de gerações de leitores.”
Para ele, chegar até aqui com a reputação intacta é o que mais pesa: “Ver um jornal chegar aos 75 anos com tanta credibilidade, respeito e carinho do público é motivo de orgulho. O Jornal O DIA faz parte da memória afetiva do Rio de Janeiro e continua tendo um papel importante na informação e na comunicação com a sociedade. No Rio de Janeiro, o Jornal O DIA é leitura obrigatória para se manter informado.”
O reconhecimento ultrapassou a redação: desde 2025, o 5 de junho integra o calendário oficial do Estado do Rio, celebrado anualmente, e o jornal recebeu o título de Benemérito do Estado, honraria reservada a quem prestou serviços relevantes à sociedade fluminense.

O Rio reconhece

Se O Dia não para de olhar para a frente, a cidade reconhece o que o jornal representa. No poder público, o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, destacou o papel do veículo na vida da capital: “Ao longo de todo este tempo, o jornal teve um papel superimportante na cobertura da cidade do Rio e na prestação de serviço para a população carioca. O DIA sempre foi um veículo próximo às pessoas, acompanhando de perto os acontecimentos do Rio e dando voz aos cariocas”, afirmou, em nome da Prefeitura.
Da Câmara Municipal, seu presidente, o vereador Carlo Caiado, ressaltou a estatura do veículo: “Ao longo das décadas, o veículo soube falar com o povo de forma direta, acessível e responsável, sempre atento ao que acontece nas ruas e na vida real das pessoas”. E sublinhou a solidez da cobertura, que, segundo ele, “se consolidou como uma referência da imprensa fluminense”, com uma cobertura política respeitada ao longo das décadas.
Na Assembleia Legislativa, o presidente da Casa, deputado Douglas Ruas, inscreveu o jornal no campo da democracia: “Mais do que noticiar, O DIA sempre teve a sensibilidade de ouvir o cidadão, dar voz às ruas e retratar a realidade da nossa gente. Parabenizo o jornal por exercer, com responsabilidade, um papel fundamental para a democracia e para a sociedade.”
Dos gramados às quadras
Como bom carioca, O DIA nunca escondeu suas paixões e o esporte retribui o afeto. Zico, maior ídolo da história do Flamengo e antigo colunista da casa, foi direto: “Tenho um carinho especial pelo Jornal O DIA, fiz diversas visitas e, lógico, tomara que venham mais 75 anos pela frente, sempre prestando um grande serviço ao morador do Rio de Janeiro.”
Presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro enquadrou a data no tempo das instituições que resistem: “Sete décadas e meia dedicadas ao jornalismo sério, à informação de qualidade e à preservação da memória do nosso povo. Um veículo que atravessou transformações políticas, sociais e tecnológicas, mantendo sempre o compromisso com a verdade e com o leitor, sobretudo num período em que inverdades são publicadas a todo momento”. E definiu a parceria como motivo de orgulho: “Que o Jornal O DIA continue por muitos anos sendo esse guardião da história e da informação.”
Os gramados guardam memórias afetivas com o caderno de esportes Ataque. Carlos Germano, ídolo do Vasco e goleiro da Seleção na Copa de 1998, agradeceu o registro de sua trajetória: “Cada defesa, cada jogo importante, cada conquista… tudo registrado com seriedade, paixão e respeito pelo esporte”. Maurício, herói do título do Botafogo que encerrou um jejum de 21 anos, lembrou que o jornal esteve presente “principalmente em 1989, quando fiz o gol daquele título histórico do Botafogo”. O goleiro Acácio, que fez história no Vasco, celebrou as “lindas matérias feitas nos meus três títulos do Carioca”, enquanto Donizete “Pantera” classificou o veículo como “excelente parceiro do esporte do Rio”.
Além das quatro linhas, a quadra. O técnico Bernardinho, bicampeão olímpico com a seleção masculina de vôlei, valorizou uma raridade na imprensa brasileira: “O DIA sempre se fez presente na cobertura do vôlei, e durante um bom tempo manteve até uma coluna sobre nossa modalidade, fato raro no Brasil”. E deixou um recado à redação de hoje: “Que possam ser guardiões dos valores do bom jornalismo, com informações bem apuradas e um material bem trabalhado.”
Amarelo feito um dia no Rio
Não é à toa que é amarelo feito um dia no Rio de Janeiro. Moacyr Luz, compositor
É da música e da cultura que vem talvez a definição mais carioca do jornal. Referência do samba e ex-colunista da casa, Moacyr Luz cravou a imagem que virou síntese: “O DIA, mesmo com uma editoria nacional, é absurdamente carioca. Não é à toa que é amarelo feito um dia no Rio de Janeiro”. O coreógrafo Carlinhos de Jesus faz coro a partir da memória afetiva: “O DIA faz parte da vida do carioca. Ele me acompanha desde a infância… É uma memória afetiva muito grande que tenho com o DIA”.
Para o cantor Xande de Pilares, a relação virou parceria de carreira: “Quando o Revelação começou, O DIA foi um dos primeiros veículos a fazer matérias sobre a gente. Depois, acompanhou o início da minha carreira solo, e essa parceria existe até hoje”. A atriz Luiza Rosa destacou a façanha de modernizar sem se descaracterizar: “Esse jornal supercarioca, tradicional, mas também moderno. Sabe conversar com as pessoas de forma simples, tem uma linguagem direta e migrou para o digital também de uma forma linda”.
Ícone da comédia e referência na luta por representatividade, Nany People apontou um traço que considera raro: “Além de ser um jornal que conversa a linguagem do povo, ele tem uma coisa muito interessante, que poucos meios de comunicação têm, que é falar sobre cultura, teatro”. A atriz Regiane Alves resumiu o sentimento de boa parte do meio artístico: “Um jornal que sempre acompanha a minha carreira, fazendo boas matérias e levando informação precisa e objetiva. Parabéns, continuem assim”.
A rua responde
No fim, é nas bancas e nas telas que o jornalismo se justifica e ali a resposta é diária. O servidor estadual Diogo Almeida explica por que o título é o seu favorito: o veículo “se preocupa com notícias mais complexas na área de política” e “não é só um jornal policial como outros”. Moradora da Tijuca, a jornaleira Luciana de Oliveira aponta a abrangência: “O jornal ainda engloba vários assuntos. Tem pessoas que vêm aqui comprar outro jornal, mas levam O DIA junto. Nele saem coisas que não saem nos outros”.
O hábito atravessa idades e bairros. O porteiro Gilson Pinheiro, de 69 anos, morador de Duque de Caxias, não hesita: “O melhor jornal que tem é O DIA. Está sempre acompanhando as notícias, é muito bom”. O auditor Anderson Serpa, 50, leitor desde a adolescência, segue o noticiário por interesse: “Hoje em dia gosto mais da parte de política e esportes”. E a ponte entre o papel e a tela aparece na rotina do vigia Alexsander Cabral, 34: “Costumo ler o impresso de vez em quando, mas sempre leio no celular”, prova viva de que a marca migrou de plataforma sem perder o leitor.

Rumo ao centenário

O futuro tem meta. No parque gráfico, Abelardo aposta alto na próxima marca: “Espero que passe dos 100 anos”. Luarlindo Ernesto, de 82 anos, repórter de longa data que acaba de lançar a própria biografia, faz a mesma torcida: “Espero que continue nessa trajetória de sobrevivência, contando com o esforço dos funcionários, que se tornaram amigos. Que chegue aos 100 anos”.
É essa a moral dos 75 anos: aqui, idade não é limite, é patrimônio. Entre o chumbo das antigas oficinas e os algoritmos da era digital, o que permanece é a essência: relevância jornalística com linguagem próxima, a serviço de quem lê. O DIA chega aos 75 com a credibilidade de um veículo de referência e a inquietação de quem nunca se dá por pronto. Envelheceu no calendário; no espírito, segue jovem. E é justamente por isso que não para de se modernizar.

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