O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quarta-feira, 10, que o Brasil se tornou o país com a maior "credibilidade" ambiental do mundo. A declaração foi dada durante o anúncio de medidas relacionadas ao Dia Mundial do Meio Ambiente, no Palácio do Planalto.
"Hoje é mais do que comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente. Eu acho que hoje é o dia da afirmação de que o Brasil passa a ser o país com mais credibilidade no mundo de cuidar da questão ambiental. Nós sempre fomos tratados como se fôssemos ninguém. Muita gente deu muito palpite sobre a gente, muitas vezes sem acreditar naquilo que a gente dizia que ia fazer neste País", afirmou o petista.
Lula sugeriu ainda que ninguém tenha assinado tanto atos ligados à pauta ambiental em único dia quanto ele e disse que as medidas são frutos da mobilização de entidades e pessoas ligadas ao tema.
"Isso é graças a vocês ambientalistas, que muitas vezes, ao governo, parecem chatos. Vocês sabem que muitas vezes quando há uma demanda ambiental, o ministro daquela área fica irritado. Mas o que nós estamos colhendo aqui é o resultado da teimosia de vocês", declarou.
O presidente também elogiou o trabalho da deputada federal Marina Silva (Rede-SP) à frente do Ministério do Meio Ambiente, mencionada por ele como uma das principais responsáveis pelo avanço na pauta ambiental.
"A verdade é que quem quer e faz o discurso 'é tudo ou nada', fica com nada. O competente são aquelas pessoas que acham que eu vou conquistar, o máximo que eu puder, dialogando e convencendo as pessoas que discordam de mim de que eles estão errados", explicou o presidente, em referência sobre as divergência entre os ministros de seu governo.
Durante a cerimônia, Lula sancionou a lei que institui a Política Nacional para Recuperação da Caatinga e lançou o Programa Recaatingar, iniciativa que terá aporte inicial de R$ 60 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Banco do Nordeste (BNB).
Além disso, também foram anunciados:
- Investimento de R$ 2 bilhões para ações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) na bacia do Rio Doce;
- Investimento de R$ 834 milhões do Fundo Clima para projetos de restauração da vegetação nativa;
- assinatura do contrato de doação de R$ 270 milhões do Reino Unido ao Fundo Amazônia;
- Destinação de R$ 393 milhões do Fundo Amazônia para projetos selecionados pela iniciativa Restaura Amazônia;
- Doação de R$ 370 milhões ao programa ARPA Comunidades, destinada ao fortalecimento das cadeias da sociobioeconomia junto a comunidades extrativistas.
O presidente assinou ainda o decreto que agiliza os repasses do Fundo Nacional do Meio Ambiente para Estados e municípios, além dos atos de ampliação dos Parques Nacionais da Serra das Confusões e de Sete Cidades, no Piauí, e que criam o Parque Nacional do Tanaru, em Rondônia, e a Área de Proteção Ambiental do Paleocanal do Rio Tocantins, no Pará.

