Estudantes das três universidades estaduais paulistas realizaram greves neste ano em busca de melhorias na permanência estudantil, moradia e alimentação. Entre elas, a única encerrada até esta quinta-feira, 11, é a organizada por alunos da Universidade de São Paulo (USP).
Na segunda-feira, 8, os estudantes da USP aprovaram o fim da greve em assembleia geral convocada pelo Diretório Central Estudantil (DCE), após 54 dias de paralisação das atividades.
Desde então, as assembleias de cada curso vêm votando pelo encerramento ou não da paralisação em suas respectivas unidades. Mesmo antes do fim da greve, cursos como Direito, Enfermagem e Medicina já tinham retomado as aulas.
Unicamp
Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a greve geral ocorre desde 18 de maio. Na segunda-feira, estudantes ocuparam o prédio da Diretoria Geral da Administração (DGA), órgão responsável pela gestão das atividades administrativas da instituição.
Em nota, o DCE afirmou que a reitoria enviou e-mails "que tentavam chantagear" a mobilização estudantil e "impor o fim da greve", sem novas negociações e sem formalizar as propostas já discutidas.
Segundo a organização, pontos centrais reivindicados pelos alunos ficaram de fora das negociações, como a contratação de novos docentes, a entrega de obras em andamento e a concessão de auxílio-permanência sem critérios de desempenho.
A reitoria lamentou a ocupação e afirmou que a ação prejudicou o andamento de serviços essenciais, como o abastecimento da área da saúde, a liberação de salários, bolsas e auxílios estudantis e o funcionamento dos restaurantes universitários.
Na quarta-feira, 10, o DCE afirmou que retomou as negociações após receber da reitoria "uma retratação à postura intransigente que visava colocar fim à greve estudantil". Segundo a organização, a gestão propôs a reabertura do diálogo com uma reunião para "consolidar compromissos assumidos anteriormente".
Já a reitoria publicou os termos da proposta oferecida aos alunos em 3 de junho - que incluem a criação de grupos de trabalho para discussão das bolsas de permanência e viabilização da moradia estudantil em Limeira, com perspectiva de investimento de até R$ 20 milhões - e afirmou que continuará aberta ao debate e ao aperfeiçoamento de suas políticas.
Uma nota reunião entre os dois lados está agendada para esta quinta-feira, 11.
Unesp
Na Universidade Estadual Paulista (Unesp), os primeiros passos da greve estudantil foram dados no início de maio, em meio ao crescimento das paralisações nas outras universidades.
No entanto, o movimento ganhou força após a reitora da Unesp, professora Maysa Furlan, determinar a suspensão temporária da homologação de concursos públicos de docentes, pesquisadores e técnicos administrativos, sob a justificativa de dificuldades orçamentárias.
A medida atinge o plano orçamentário de 2026, que prevê a contratação de 150 docentes e 100 servidores técnico-administrativos ao longo do ano. Com a decisão, as contratações ficam temporariamente congeladas.
A decisão foi questionada pela Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp), que afirmou que no orçamento da universidade para 2026 - devidamente aprovado pelo Conselho Universitário - há recursos financeiros necessários para a contratação de todos os docentes, pesquisadores e técnicos administrativos que foram aprovados nesses concursos pendentes de homologação.
Na quarta-feira, os estudantes realizaram um protesto em frente à reitoria, durante uma reunião entre o Fórum das Seis - articulação sindical e estudantil que reúne entidades representativas de servidores, professores e estudantes da USP, Unicamp e Unesp - e o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp).

