Adiado o júri de acusado de matar médica do Exército

Julgamento de Elton Hilton Herculano de Lima será realizado em 24 de setembro após pedido da defesa por ausência de testemunha

Rosângela da Silva Santos do Nascimento morreu em março de 2023
Rosângela da Silva Santos do Nascimento morreu em março de 2023 -
Rio – O julgamento de Elton Hilton Herculano de Lima foi adiado, nesta quarta-feira (17), no Tribunal do Júri da 4ª Vara Criminal da Capital. Ele responde pela morte da médica do Exército Rosângela da Silva Santos do Nascimento, de 41 anos.

A nova data foi marcada para o dia 24 de setembro de 2026, às 10h. O adiamento ocorreu após um pedido da defesa do réu, que alegou a impossibilidade de comparecimento de uma das testemunhas de defesa.

Segundo informações obtidas pela reportagem, nenhuma das testemunhas arroladas pela defesa compareceu ao fórum. A justificativa apresentada foi que o marido de uma das testemunhas passará por uma cirurgia nesta quarta-feira (18). Apesar da possibilidade de participação por videoconferência, a defesa solicitou o adiamento da sessão.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e a assistência de acusação não se opuseram ao pedido, que foi acolhido pelo juízo responsável pelo caso.

Elton Hilton Herculano de Lima é acusado de matar a então namorada, a capitã médica do Exército Rosângela da Silva Santos do Nascimento, em março de 2023, no Cachambi, Zona Norte. De acordo com as investigações da 23ª DP (Méier), a vítima morreu por asfixia e intoxicação exógena dentro do apartamento onde morava. Rosângela trabalhava no Hospital Central do Exército (HCE), em Benfica, na Zona Norte. Ela era capitã médica e fazia pós-graduação para oficiais médicos em Anestesiologia.

A denúncia aponta que o acusado teria tentado simular um suicídio para encobrir o crime. O laudo de necropsia identificou sinais de constrição no pescoço e substâncias que provocaram depressão respiratória no organismo da médica.

Ainda conforme o inquérito, Elton também teria adotado medidas para tentar obter vantagens patrimoniais após a morte da vítima, incluindo o registro unilateral de união estável pós-morte e o pedido de pensão junto ao Exército.

Preso desde setembro de 2024, ele responde pelo crime de feminicídio. A família de Rosângela acompanha o caso e cobra a condenação do acusado. 

Após o adiamento da sessão, Roberta Ferreira, cunhada da vítima, lamentou a decisão e afirmou que a família se sente novamente impactada pela demora na conclusão do caso.
"O adiamento do julgamento é como reviver a dor que nunca foi embora. Quando estratégias processuais são usadas apenas para atrasar a Justiça, quem mais sofre são as vítimas e suas famílias. A sensação é de impotência, de esperar por uma resposta que parece sempre distante. Como família, carregamos a esperança de que a justiça seja feita, mas também o peso da frustração e do cansaço. O tempo passa, mas a ausência permanece, e essa espera faz parecer que o nosso sofrimento também foi colocado em espera", declarou para a reportagem de O DIA.

A reportagem tenta localizar a defesa de Elton. O espaço está aberto para manifestação.