STJ mantém Rogério de Andrade em presídio federal

Bicheiro é apontado como mandante da morte de Fernando Iggnácio, com quem disputava o controle de pontos do jogo do bicho

Bicheiro Rogério de Andrade está preso desde 2024
Bicheiro Rogério de Andrade está preso desde 2024 -
Rio - O Superior Tribunal de Justiça manteve Rogério de Andrade detido no sistema penitenciário federal. O contraventor responde pela morte de Fernando de Miranda Iggnácio, que aconteceu em novembro de 2020.

O ministro do STJ Rogerio Schietti Cruz suspendeu a decisão anterior da Justiça do Rio, que havia retirado o bicheiro do Regime Disciplinar Diferenciado e determinado a volta dele ao sistema prisional estadual. Desde 2024, Andrade cumpre pena em um presídio federal em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. 

Na decisão, o ministro concordou com o argumento do MPRJ sobre a prisão do contraventor em uma unidade fora do Rio. Segundo o magistrado, a permanência de Rogério em um presídio federal não depende do surgimento de novos fatos; basta que permaneçam os motivos que levaram à transferência dele para fora do estado.

O ministro destacou a existência de elementos indicativos de periculosidade. Ele também pontuou a posição de liderança em organização criminosa, com influência no sistema prisional e em órgãos de segurança pública, além do risco à ordem pública e à instrução criminal.
Relembre o caso

Rogério de Andrade e Fernando Iggnácio são, respectivamente, genro e sobrinho de Castor de Andrade. Desde a morte de um dos maiores chefes do jogo do bicho no Rio, em 1997, eles disputavam os pontos da contravenção. O crime aconteceu no estacionamento de um heliporto no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste. Na ocasião, Iggnácio foi atingido por três tiros, sendo um deles na cabeça.

A denúncia do MPRJ aponta Andrade e Márcio Araujo de Souza como os mandantes da morte de Iggnácio. A execução do crime foi realizada por Rodrigo Silva das Neves, Ygor Rodrigues Santos da Cruz, o Farofa, Pedro Emanuel D'Onofre Andrade Silva Cordeiro, o Pedrinho, e Otto Samuel D'Onofre Andrade Silva Cordeiro. Após ser denunciado em 2021, Rogério acabou solto no ano seguinte, por decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).

O patrono da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel chegou a ser preso outra vez em 2022. Ele deixou a cadeia poucos meses depois, após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) conceder uma liminar para substituir a prisão preventiva por medidas cautelares, que incluíam o uso de tornozeleira eletrônica e o recolhimento domiciliar à noite. Em abril de 2024, o ministro Kassio Nunes Marques também revogou as medidas cautelares.

Por fim, o contraventor foi novamente preso em 2024, durante a Operação Último Ato. Desde então, cumpre pena em uma penitenciária federal de segurança máxima. Antes disso, Rogério de Andrade ficou preso em uma cela isolada de 6 m² na penitenciária Laércio da Costa Pellegrino, em Bangu 1, unidade prisional de segurança máxima do estado do Rio.
Rogério de Andrade foi preso por agentes do Gaeco na operação Último Ato
Rogério de Andrade foi preso por agentes do Gaeco na operação Último Ato Arquivo / Reginaldo Pimenta/Agência O Dia