O governador de São Paulo e pré-candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), rebateu nesta quinta-feira, 2, as críticas de que a entrega da Linha 6-Laranja do Metrô teria sido adiantada por causa do calendário eleitoral. "O Brasil talvez seja o único país do mundo em que o pessoal critica quando a gente antecipa", afirmou.
As declarações foram dadas na cerimônia de abertura do primeiro trecho da nova via, na capital paulista. Nesta etapa inicial, entram em funcionamento seis das 15 estações previstas: João Paulo I, Freguesia do Ó, Santa Marina, Água Branca, Sesc-Pompeia e Perdizes. O embarque será gratuito na fase de testes, que deve durar até o fim do ano.
Originalmente prevista para outubro, a entrega foi antecipada pelo governo. Para cumprir o novo cronograma, a concessionária Linha Uni ampliou os trabalhos nos canteiros, inclusive durante a madrugada. A conclusão de todo o trajeto permanece prevista para outubro de 2027.
O chefe do Executivo paulista argumentou que o governo vinha negociando havia algum tempo com a concessionária para antecipar ao máximo o início da operação da linha, sob o argumento de que a medida permitiria reduzir custos. Ele também reclamou das críticas ao longo do discurso.
"A dor de cotovelo de alguns é grande porque, por incrível que pareça, tem gente que reclama que a gente antecipou o cronograma", afirmou. "Ora, era para entregar, para começar a operar em outubro. Estão começando a operar em julho. É um absurdo isso, como assim? É sério isso?"
A gestão Tarcísio acelerou o ritmo de inaugurações antes das restrições impostas pelo calendário eleitoral. Pré-candidatos à reeleição poderão participar de inaugurações de obras e serviços públicos somente até este sábado, 4, conforme as regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A abertura parcial ocorre 18 anos após a promessa feita pelo então governador José Serra (PSDB), em 2008, de levar o Metrô à zona noroeste de São Paulo até 2012. A obra, inicialmente orçada em R$ 2,2 bilhões, equivalente hoje a R$ 6,1 bilhões pelo IPCA, só teve contrato assinado em 2013, na gestão Geraldo Alckmin, hoje no PSB e vice-presidente da República.
O projeto foi estruturado como a primeira PPP integral do Metrô, com a concessionária responsável pela construção e pela operação. Porém, sofreu atrasos após as dificuldades financeiras enfrentadas pelo consórcio original, que reunia empresas como Odebrecht e Queiroz Galvão, em meio à Operação Lava Jato. Em 2019, a espanhola Acciona assumiu a concessão, retomou as obras e elevou o custo total do empreendimento para cerca de R$ 19 bilhões após intercorrências.
"Veja como a corrupção pode gerar dano, como a corrupção pode prejudicar as pessoas. E a Lava Jato pegou essa obra em cheio", afirmou o governador ao longo do discurso. "Essa obra parou, ficou anos parada, até que fosse possível fazer a substituição daquelas empresas, até que fosse possível colocar um grupo que topasse encarar aquele desafio, que entrasse, até que eles pudessem fazer a transferência de controle."
Semana de entregas
Ao longo da semana, o governador concentrou entregas na capital e na Grande São Paulo, região em que enfrenta uma disputa mais equilibrada com o principal adversário, o ex-ministro Fernando Haddad (PT). Além da Linha 6-Laranja, Tarcísio inaugurou a última estação da primeira etapa da Linha 17-Ouro, entregou a Praça do Triunfo, no centro de São Paulo (região onde ficava a Cracolândia), e participou da entrega do restauro do Estádio Ícaro de Castro Mello, no Ibirapuera.
"Não vamos parar nada. Eu não posso entregar? Mas os secretários podem, representando o governo do Estado, fazendo as entregas em nome do governo do Estado", disse Tarcísio em coletiva na terça-feira. O governador afirmou que a administração manterá o ritmo após o prazo eleitoral, com visitas técnicas e agendas conduzidas por secretários. "A gestão não pode parar."
O prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), participou das agendas para reforçar o apoio ao aliado, chegando a ceder espaço durante a inauguração na Praça do Triunfo. Também estiveram presentes no evento desta quinta-feira o pré-candidato ao Senado e presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado (PL), o vice-governador Felício Ramuth (MDB) e o secretário de Parcerias em Investimentos, Rafael Benini.

