Falta de policiamento segue como principal preocupação dos paulistas, aponta pesquisa

A sensação de que faltam policiais nas ruas continua sendo a principal preocupação dos moradores do Estado de São Paulo quando o assunto é segurança pública. Pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira, 8, mostra que 20% da população considera a falta de efetivo o maior problema da área. Embora o índice seja menor do que o registrado em 2022, quando era de 24%, a questão segue à frente de temas como assaltos e tráfico de drogas.

O levantamento ouviu 1.608 pessoas com 16 anos ou mais em 71 municípios paulistas. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos.

Os assaltos aparecem em segundo lugar entre as principais preocupações dos entrevistados, citados por 11% dos paulistas, três pontos porcentuais a mais do que no levantamento anterior. Em seguida, vem o tráfico de drogas, mencionado por 8%, o dobro do registrado em 2022.

Outros problemas lembrados pelos entrevistados foram a sensação de insegurança de forma geral (7%), a impunidade ou a ineficácia das leis (6%), a atuação de facções criminosas e do crime organizado (4%) e o despreparo das forças policiais (4%).

A percepção de que faltam policiais nas ruas é compartilhada por diferentes grupos da população. Entre os eleitores do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), 19% apontam esse como o principal problema da segurança pública. Entre os eleitores do ex-governador Fernando Haddad (PT), o índice chega a 25%.

A preocupação também varia conforme a idade e a região do Estado. Entre pessoas de 35 a 44 anos, 24% consideram a falta de policiamento o principal desafio da segurança pública, enquanto entre os jovens de 16 a 24 anos esse porcentual é de 14%. Na capital e na Região Metropolitana de São Paulo, a queixa é mais frequente: 24% dos moradores apontam a escassez de policiais como principal problema, contra 17% no interior.

A percepção dos paulistas coincide com um efetivo da Polícia Militar menor do que o registrado há 25 anos. Dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP) mostram que a corporação tinha 79.603 policiais na ativa em maio deste ano. Em 2001, eram 84.404. O maior contingente da série histórica foi registrado em 2006, quando o Estado contava com mais de 90 mil policiais militares.

Embora a falta de policiamento siga liderando as preocupações, a pesquisa aponta uma redução no medo da violência em relação ao levantamento anterior. O porcentual de paulistas que afirmam sentir muito medo de serem vítimas de assalto nas ruas caiu de 57%, em 2022, para 47% neste ano. Também diminuiu o receio de assaltos em semáforos, sequestros, balas perdidas e invasões a residências.

A queda na sensação de insegurança acompanha os indicadores criminais do Estado. Segundo a SSP, São Paulo registrou 970 homicídios entre janeiro e maio deste ano, a primeira vez, desde o início da série histórica, em 2001, que o número de assassinatos ficou abaixo de mil nos cinco primeiros meses do ano. O balanço mais recente da secretaria também mostra redução da maior parte dos índices de criminalidade na comparação com o mesmo período de 2025.