Lula defende SUS e investimentos nos hospitais federais

Em visita ao Rio, presidente afirmou que cidade e estado devem se tornar referência nacional na saúde

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva na Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP)
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva na Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) -
Rio – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumpriu agenda na área da saúde no Rio de Janeiro nesta sexta-feira (17), com visitas à Unidade Móvel de Saúde da Mulher, instalada em Manguinhos, e ao Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into). Durante os compromissos, o presidente defendeu o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), a valorização dos hospitais federais e a ampliação do acesso da população a serviços especializados.
Porém, o presidente evitou comentar as discussões sobre o chamado "tarifaço" envolvendo os Estados Unidos e afirmou que o foco do dia deveria permanecer nas ações de saúde pública.

"Eu falei para caramba e não falei do tarifaço. Não vou falar, porque a notícia tem que ser o SUS, a notícia tem que ser as nossas carretas, a notícia tem que ser o tratamento das mulheres", afirmou. "Quando o Trump falar, eu falarei. Enquanto ele não falar, eu não falarei", disse.

Pela manhã, Lula esteve na Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), onde visitou a unidade móvel voltada ao atendimento especializado de mulheres. A estrutura reúne serviços de prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama e do colo do útero, oferecendo mamografias, ultrassonografias mamária, transvaginal e pélvica, biópsias de nódulos mamários e do colo uterino, colposcopia e consultas com especialistas.

Em funcionamento desde 12 de junho, a unidade já realizou 687 atendimentos, totalizando 745 procedimentos e 626 Ofertas de Cuidado Integrado (OCI), modelo em que a paciente percorre um único fluxo de atendimento, da consulta ao diagnóstico, em até 30 dias.

Durante a agenda, o presidente também visitou o Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria, vinculado à Fiocruz, onde acompanhou ações relacionadas à saúde sexual e reprodutiva, incluindo a oferta do Implanon pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O contraceptivo subdérmico de longa duração e alta eficácia passou a integrar a rede pública de saúde.

Ao discursar, Lula afirmou que a principal missão de um governo é tomar conta da população. "Cuidar das pessoas é a coisa mais sagrada que um governo deve ter. Estou ficando realizado com o SUS. A gente não fez tudo, não conseguiu fazer tudo", declarou.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, acompanhou as atividades ao lado da primeira-dama Janja Lula da Silva, do governador em exercício do Rio, Ricardo Couto, do prefeito Eduardo Cavaliere, do presidente substituto da Fiocruz, Valcler Rangel, além de representantes da instituição e da comunidade local.

Rede de unidades móveis

Atualmente, o estado do Rio conta com 11 unidades móveis financiadas pelo Governo Federal. São cinco voltadas à saúde da mulher, quatro especializadas em exames de imagem e duas destinadas à oftalmologia e cirurgias de catarata.

Juntas, as carretas já atenderam mais de 13 mil pessoas e realizaram cerca de 31,6 mil procedimentos pelo SUS.
No local, defendeu investimentos na rede federal de saúde e afirmou que os hospitais administrados pela União precisam alcançar padrões de excelência. "Nós precisamos fazer com que os hospitais federais sejam tratados como a coisa mais nobre, porque precisam ser a referência nacional. Quando alguém quiser falar de saúde, precisa falar que o tratamento da saúde do Rio de Janeiro é igual ao melhor tratamento do mundo", disse.

O presidente também destacou a importância da contratação de profissionais, da valorização salarial e da melhoria das condições de trabalho nas unidades de saúde.

"Se o Estado assumiu a responsabilidade, temos que dar qualidade. Isso significa contratar funcionários, pagar salários bons, dar boas condições de trabalho e cuidar do paciente. Isso significa cuidar direito das pessoas", afirmou.

Segundo Lula, a aplicação dos recursos públicos passa por escolhas de governo. "Fazer uma ponte e um viaduto é fácil, qualquer um faz. Difícil é optar para quem você vai destinar os poucos recursos que o Estado tem. É uma questão de opção e prioridade", declarou.

Durante o discurso, Lula também comentou a recente participação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo e afirmou que, apesar da eliminação, os brasileiros devem manter o orgulho do país. "Nós vimos o fracasso da nossa seleção agora na Copa do Mundo, mas nós temos que ter orgulho de ser brasileiros", disse.

Após os compromissos em Manguinhos, Lula seguiu para o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), referência nacional em ortopedia, traumatologia e reabilitação. A visita integra a agenda do governo federal voltada ao fortalecimento da rede pública de saúde e à ampliação do acesso da população a serviços especializados.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva na Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP)
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva na Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) Foto: Ricardo Stuckert / PR
Lula fez uma publicação em seu perfil oficial no Instagram nesta sexta-feira
Lula fez uma publicação em seu perfil oficial no Instagram nesta sexta-feira Ricardo Stuckert / PR / Reprodução