Rio - Sobrinha de Arlindo Cruz, a cantora Debora Cruz foi velada no Crematório São Francisco Xavier, no Caju, na Zona Portuária, nesta quarta-feira (22). A artista, que estava internada desde o início de julho após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC), morreu aos 45 anos, nesta terça (21).
Na cerimônia de despedida, foram colocadas bandeiras das escolas de samba Unidos do Viradouro - na qual Debora integrava o carro de som há dois anos -, Beija-Flor de Nilópolis e Mocidade Independente de Padre Miguel. A atual campeã do carnaval carioca e os cantores Zeca Pagodinho e Dudu Nobre enviaram coroas de flores.
Sob forte comoção, familiares e amigos se despediram da sambista, incluindo os primos e filhos de Arlindo, o cantor Arlindinho e a influenciadora digital Flora Cruz, além do ex-integrante do Molejo, Andrezinho Silva. Viúva do artista, Babi Cruz também esteve presente e recordou os momentos ao lado da cantora, ao ressaltar o seu talento.
"Ela sempre foi esse talento absurdo da família. Esse dom nato, autodidata, uma voz preciosa. Lamentavelmente, não chegou aonde ela mereceu chegar. [...] Mas ela vai deixar grandes lembranças por onde ela passou. Um caminho lindo, uma voz diferenciada, uma voz de mulher preta. Debora era uma 'sobrinha-filha'", disse Babi.
A empresária, ainda, destacou o carinho que o cantor - falecido desde agosto do ano passado também em decorrência de um AVC, sofrido em 2017 - sentia pela sobrinha. "Arlindo colocou ela muito cedo para ir para o estúdio, para fazer back vocal. E ela sempre se sobressaía pelo seu potencial e capacidade".
A empresária, ainda, destacou o carinho que o cantor - falecido desde agosto do ano passado também em decorrência de um AVC, sofrido em 2017 - sentia pela sobrinha. "Arlindo colocou ela muito cedo para ir para o estúdio, para fazer back vocal. E ela sempre se sobressaía pelo seu potencial e capacidade".
Irmão da cantora, Gilberto Cruz lamentou a perda, mencionando a trajetória da artista no Carnaval do Rio. "Debora foi um mar do Carnaval para a gente, família. Um talento ímpar, reconhecida por todo lugar que ela passou, todas as escolas, todos os grupos, todos os cantores com quem ela trabalhou. E vai deixar muita saudade no coração da gente. Ela sempre foi muito querida e respeitada. Tanto pelo trabalho, quanto pela postura", contou ele, com a voz embargada de choro.
Prima da sambista, Marilha Munis a homenageou. "Ela era uma pessoa maravilhosa. Perdeu a vida no auge. Adorava cantar, adorava a família. Era sempre muito engraçada desde pequena. E é um sentimento de perda [...] Estaremos sempre lembrando dela, sempre no samba. E ela era sinônimo de alegria, de samba e voz. Uma pessoa fantástica. É uma pena porque é uma doença que infelizmente pode acometer a todo mundo. E levou ela da gente".
Verônica da Fé, produtora musical da cantora, contou que esteve ao lado da amiga até o último momento. "Ela era o meu amor, minha irmã de alma, fiquei com ela até o último respiro. [...] Hoje eu estou dopada [de remédio]. Não sei como é que vai ser, porque eu morei no hospital com ela, para ficar com ela até o último dia, com a família", falou.
Apesar da perda, Verônica falou que a sambista gostaria que a alegria da folia estivesse ainda mais presente para os entes queridos. "[O Carnaval] tem que continuar com mais brilho ainda, porque é o que ela ia querer. Ela é essa tranquilidade, mas ela ia querer muita alegria, porque ela também era alegria e amor".
Namorado da artista, Camilo Costa também mencionou a personalidade tranquila e amorosa de Debora. "Ela era uma pessoa muito amorosa. Dava para ver... cuidada da família, tinha uma preocupação extrema com a mãe. [Era] parceira para todas as horas. A gente tinha uma vida corrida, cada um correndo atrás dos seus objetivos, mas a gente se entendia muito bem".
Com forte trajetória ligada ao samba, Debora atuava como cantora de apoio, participava de coros em gravações de sambas-enredo e também marcou presença em rodas dedicadas à obra de Arlindo Cruz (1958-2025) e de Acyr Marques (1953-2019).
* Colaborou Érica Martin


