Rio - A reunião entre o Sindicato dos Rodoviários do Rio de Janeiro terminou novamente sem acordo, nesta quarta-feira (22), Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-RJ). Na quarta-feira passada (15), a audiência já havia se encerrado sem um consenso por causa de divergências sobre o pagamento dos 30 minutos de descanso dos motoristas e o reajuste da cesta básica.
O presidente do sindicato, Sebastião José, contou que não houve avanço nas principais demandas da categoria. Com isso, a proposta foi recusada nesta quarta e uma assembleia, na quinta-feira (23), repassará as atualizações com relação ao andamento da greve.
"Os empregadores vieram com a mesma proposta, tiveram a cara de pau de oferecer 1% a mais na cesta básica. A nossa alimentação já é ridícula, não temos vale-refeição. O que temos é uma alimentação no valor de R$ 640 e ofereceram 6% de reajuste, R$ 38. Não avançaram no plano de saúde, não avançaram na indenização do intervalo refeição - que, hoje, é o nosso principal problema. Os trabalhadores não têm tempo para se alimentar", reforçou Sebastião.
O desembargador Gustavo Tadeu Alkmim acrescentou que o TRT-RJ segue à disposição das partes. "Caso optem por continuar no estado de greve, o processo vai seguir normalmente. Ambos apresentarão suas defesas, o Ministério Público vai se manifestar e, aí sim, será designado o desembargador relator para o processo ser colocado ao colegiado que vai decidir sobre a legalidade ou não da greve", pontuou.
A reunião desta quarta-feira foi convocada após adiamentos e encontros sem avanços. Ainda no início do mês, a suspensão aconteceu para que as partes pudessem tentar construir um entendimento. Na ocasião, o Rio Ônibus havia elevado a proposta de reajuste salarial de 4,39% para 4,5%, percentual que também seria aplicado à cesta básica, mas a oferta não foi suficiente para encerrar o impasse.
Os rodoviários entraram em greve às 0h no dia 29 de junho e durou três dias, com determinação da Justiça de que 80% da frota estivesse nas ruas. Apesar disso, no primeiro dia, menos de 1.000 coletivos estavam em circulação. Ainda durante o movimento, de acordo com o Rio Ônibus, cerca de 50 veículos foram vandalizados por grevistas.
No dia 1º deste mês, uma reunião com 1,5 mil trabalhadores decidiu suspender a paralisação, mas manter o estado de greve. Com isso, os coletivos estão circulando normalmente, mas novas interrupções não estão descartadas caso não haja acordo.
Além do reajuste salarial, do aumento do valor da cesta básica e do pagamento referente ao intervalo, os rodoviários mantiveram outras reivindicações consideradas prioritárias. Entre elas estão melhorias nas condições de trabalho e a ampliação da assistência médica.
A categoria reclama de problemas estruturais enfrentados diariamente, como a falta de banheiros, locais adequados para alimentação e acesso à água potável em terminais e pontos finais.
Em nota, a Rio Ônibus informou que segue em negociações visando o acordo e aguarda o resultado da assembleia do Sindicato dos Rodoviários.

