Brasil Adiante: Cristina Pinotti propõe agências antimáfia, anticorrupção e de digitalização

Cristina Pinotti, economista e sócia da Pinotti Schwartsmann Associados, propõe a criação de estruturas permanentes de Estado para enfrentar o avanço das organizações criminosas. Durante o Brasil Adiante, nesta quinta-feira, 23, ela defendeu três novas agências nacionais: antimáfia, anticorrupção e de digitalização.

"São agências com caráter de Estado e não podem depender do governo A, B ou C. Precisam ser independentes e com participação da sociedade civil", disse Cristina.

O Brasil Adiante é um projeto do Estadão para apresentar propostas concretas para os principais problemas do País. O ciclo de debates vai até o final de agosto, após o início da campanha eleitoral. As soluções elaboradas serão consolidadas em um documento que será entregue em novembro ao vencedor das eleições presidenciais. A ideia é encaminhar uma agenda integrada e executável de soluções para os primeiros 24 meses do próximo governo.

A especialista voltou a defender a tipificação dos "crimes de máfia", que endureceriam os tipos penais contra o crime organizado, e destacou que grupos criminosos se fortalecem ao explorar falhas na presença do poder público em determinadas regiões. "O crime organizado se aproveita da ausência de Estado para entrar, substitui o Estado nos lugares onde não tem oferta de serviço público de qualidade", disse.

Segundo ela, onde os serviços públicos funcionam, as organizações criminosas buscam outras formas de influência, como a cooptação de pessoas, o que exige uma atuação estatal mais eficiente.

Pandemia e novas tecnologias financeiras

A economista lembrou ainda que o crescimento das organizações criminosas no Brasil e na América Latina está ligado a fatores como a retração do Estado durante a pandemia e a expansão de novas tecnologias financeiras sem regulação adequada.

"O crime organizado achou isso uma maravilha e se espalhou", disse, ao citar o período em que governos ampliaram gastos e reduziram controles. Segundo ela, ferramentas como criptomoedas, criptoativos e fintechs mudaram a forma de movimentação de recursos ilícitos. "O que antes se fazia com malas de dinheiro hoje se faz com o celular", afirmou.

Cristina Pinotti afirmou que a expansão das organizações criminosas está diretamente ligada à corrupção e à infiltração em estruturas legais. "O crime organizado não vem sozinho, não existe crime organizado sem corrupção", disse. "Uma vez aberta a porta da corrupção, o crime organizado entra com uma facilidade enorme."

Veja o cronograma do Brasil Adiante

- 27 de maio: Encontro 1: Eixo I: Estabilidade Institucional e Fundamentos do Crescimento (veja como foi);

- 11 de junho: Encontro 2: Eixo II: Capital Humano e Coesão Social (Educação e Saúde) (veja como foi);

- 23 de julho: Encontro 3: Eixo II: Capital Humano e Coesão Social (Segurança Pública e Crime Organizado); (veja como foi)

- 19 de agosto: Encontro 4: Eixo III: Produtividade, Infraestrutura e Sustentabilidade;

- 27 de agosto: Encontro 5: Apresentação do documento consolidado, divulgação da agenda e fechamento do projeto;

- Novembro: Entrega da agenda de soluções ao presidente eleito.