A polícia francesa faz buscas pela brasileira Gabriele da Silva Monteiro, de 33 anos, que está desaparecida desde a última quinta-feira, 23. Nascida do Distrito Federal e formada em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Ceará (UFC), ela mora com o marido em Lyon, no leste da França, onde vive desde 2017.
A comunidade brasileira que mora na cidade tem se mobilizado para divulgar alertas sobre o desaparecimento e pedir informações sobre o paradeiro de Gabriele. O Itamaraty informou que presta apoio consular aos familiares.
A brasileira foi vista pela última vez na quinta-feira. Ela foi a uma consulta médica pela manhã e, segundo informações preliminares, teria sido vista por uma vizinha no começo da tarde, por volta do meio-dia, quando ambas dividiram o elevador. Naquela tarde, o marido da engenheira chegou em casa por volta das 17h e já não encontrou mais Gabriele no apartamento onde moram.
Todos os pertences da brasileira estavam em casa, como documentos, celular, dinheiro e cartão de transporte público. A porta não tinha sinais de arrombamento, nem havia marcas de violência no imóvel. O único objeto de Gabriele que não foi encontrado foi um molho de chaves.
"A sensação é que ela tenha descido para atender alguém, jogar o lixo, buscar uma encomenda, algo rápido, e não tenha voltado", disse à reportagem a advogada Lívia Possi, amiga de Gabriele, que também mora na França.
As duas tinham combinado de ir a um casamento neste fim de semana, em outra cidade francesa. O plano, relatou Lívia, era buscar a engenheira na sexta-feira, 24. "Combinamos os últimos ajustes de logística, e ela me deu o 'ok' final perto das 9h da manhã de quarta-feira", disse a advogada.
Ainda segundo a amiga, o marido de Gabriele notou que a brasileira já estava fazendo as malas para o casamento e havia separado os documentos necessários para a viagem. "Estava tudo ali: celular, smartwatch, documentos pessoais, cartões bancários, bilhete do transporte público de Lyon", continuou.
O marido acionou a polícia e registrou o desaparecimento de Gabriele. De acordo com a advogada, não há câmeras de monitoramento dentro do prédio, apenas nas vias públicas. Por esse motivo, somente a polícia teria acesso às imagens.
"Como não temos acesso às imagens das câmeras públicas, fica difícil precisar exatamente quem foi a última pessoa que a viu", disse Lívia. "O que sabemos é que ela tinha uma consulta médica por volta das 11h, e esse encontro (com a vizinha) confirma que ela realmente voltou para casa", acrescentou.
A comunidade brasileira que vive em Lyon tem se mobilizado para encontrar a engenheira, espalhando cartazes e distribuindo panfletos em áreas movimentadas e turísticas da cidade. O caso chegou a uma associação especializada na busca por pessoas desaparecidas, que atuou com cães farejadores.
Em uma postagem nas redes sociais, os amigos informam que Gabriele tem 1,70 metro de altura, uma mancha de nascença nas costas e possivelmente estava vestida com um short de academia colorido e um tênis branco com detalhes de "oncinha" nas laterais. Essas peças seriam os únicos itens que o marido teria percebido que estavam faltando ao chegar em casa.
Questionado, o Ministério das Relações Exteriores informou, por meio de nota, que o Consulado-Geral do Brasil em Marselha teve conhecimento do caso e presta assistência consular aos familiares da brasileira. A mãe e um irmão de Gabriele viajaram para Lyon neste sábado, 25, para obter mais informações e ajudar nas buscas.
Afastamento do trabalho e remédio para insônia
Ao Estadão, Lívia Possi relata que Gabriele havia trocado de emprego recentemente e, por estar apreensiva com a novidade, conseguiu um afastamento temporário. "Por estar ansiosa, ela estava tomando apenas um remédio para insônia."
A amiga acredita, inclusive, que a consulta médica na manhã de quinta-feira foi para buscar um exame que comprovasse que ela estava apta a voltar ao trabalho na próxima segunda-feira, 27. "Mas não posso confirmar porque não cheguei a conversar com o médico."
Críticas ao trabalho da polícia francesa
A advogada alega que a polícia não tem contribuído com as buscas. A última medida da corporação teria sido, segundo ela, ligar para o marido de Gabriele na sexta-feira à tarde para confirmar alguns dados, mas sem prestar esclarecimentos ou fornecer novas informações sobre as investigações. "Temos a sensação de que nada está sendo feito, ainda mais por ser fim de semana."
Ela afirma também que os amigos e o marido foram orientados a entrar em contato com a adidância da Polícia Federal (PF) junto à Embaixada do Brasil em Paris, mas que não tiveram retorno. A reportagem procurou a PF e não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto e o texto será atualizado caso um posicionamento seja enviado.
"A polícia não descarta nenhuma possibilidade, mas o sentimento de quem está procurando por ela é um só: vamos encontrá-la sã e salva", diz Lívia. "Gabriele é realmente uma pessoa muito querida, e esse engajamento para encontrá-la é o resultado sincero disso."

