Muito mais que água e esgoto: saneamento significa oportunidades

Especialistas da Águas do Rio e da Aegea mostraram, no Rio Innovation Week, como a inovação em saneamento impulsiona a prosperidade compartilhada, valoriza territórios e acelera a recuperação ambiental

O CEO da Aegea, Radamés Casseb, debateu os desafios da liderança e as soluções de engenharia para o saneamento básico em conversa com a jornalista Cristiane Pelajo durante o Rio Innovation Week
O CEO da Aegea, Radamés Casseb, debateu os desafios da liderança e as soluções de engenharia para o saneamento básico em conversa com a jornalista Cristiane Pelajo durante o Rio Innovation Week -
Rio - Tubulações flexíveis encaixadas em vielas de menos de um metro de largura, bombas compactas para encostas íngremes e perfurações que evitam rasgar o asfalto e atrapalhar o comércio local. Soluções de engenharia feitas sob medida para a geografia do Rio de Janeiro estão permitindo levar água tratada e coleta de esgoto a comunidades, áreas onde o modelo tradicional de atuação com grandes máquinas era considerado inviável.
Essa junção de engenharia e inovação foi apresentada como o caminho mais inteligente para acelerar a universalização do saneamento no estado por especialistas da Aegea e da concessionária Águas do Rio durante o Rio Innovation Week, maior evento de inovação do país, que aconteceu ao longo da semana na região do Porto Maravilha.
Do conjunto de favelas da Maré, na Zona Norte, construído em área de mangue, aos morros mais íngremes em território carioca, levar água limpa e tirar o esgoto do meio da rua exige obras sob medida para acabar com o ciclo de doenças que superlota emergências e afasta crianças da escola. Para os maiores especialistas do setor, provar que é possível levar infraestrutura a qualquer beco é o primeiro passo para garantir a dignidade básica que por décadas foi negada a essas populações.
"Liderar é antecipar problemas e criar caminhos onde a engenharia dizia ser impossível. Na Maré e em Manaus, por exemplo, passamos tubulações por cima dos rios para levar saneamento a becos e palafitas. Isso é inovação: pensar nas pessoas e ainda transformar a resiliência climática da cidade", destacou Radamés Casseb, CEO da Aegea, holding de concessionárias como a Águas do Rio e Águas de Manaus, em painel sobre liderança.
Rapel e 'tatuzinho' nas comunidades cariocas 
Técnicos virando alpinistas a 40 metros de altura para instalar redes de água e esgoto por meio de rapel no Vidigal (Zona Sul), no Complexo do Alemão (Zona Norte) e no Morro da Providência (Centro). É assim que a Águas do Rio leva saneamento às encostas íngremes da cidade, onde a engenharia tradicional não conseguia operar. 
Já no conjunto de favelas da Maré, também na Zona Norte, por se tratar de uma área plana e erguida sobre o mangue, a estratégia é outra: um "tatuzinho" perfura o solo e instala tubulações sem rasgar o asfalto nem travar as vielas. Na maior obra de saneamento em favelas do estado, a intervenção vai tirar o esgoto da porta de 200 mil moradores e evitar que mais de 1 bilhão de litros de poluição deságuem na Baía de Guanabara a cada mês.
Construir esse tipo de infraestrutura em comunidades é o ponto de partida para a economia girar. O tema pautou o painel "A Economia da Periferia: inovação, potência e novos mercados", no Rio Innovation Week, onde Renan Mendonça, diretor-executivo da Águas do Rio, defendeu o saneamento básico como a base para destravar os negócios e o comércio local.
"As favelas não precisam que ninguém venha 'descobrir' sua força, ela já existe. O saneamento apenas entrega a estrutura necessária para que esse motor rode, gerando saúde e oportunidades", afirmou o executivo.
Da transformação social à Economia Azul
Os impactos dessa transformação extrapolam os limites das comunidades. À medida que o esgoto deixa de chegar aos rios e à Baía de Guanabara, praias voltam a ser frequentadas, atividades ligadas ao turismo, ao esporte, à pesca e ao lazer ganham força, e a chamada Economia Azul passa a se consolidar sobre bases sustentáveis. A recuperação ambiental deixa de ser apenas um benefício ecológico para se tornar também um ativo econômico, capaz de gerar empregos, movimentar negócios e ampliar a qualidade de vida.
"Em menos de cinco anos, tiramos 134 milhões de litros de esgoto por dia da Baía de Guanabara. O resultado é concreto: devolvemos as praias do Flamengo e da Glória para cariocas e turistas, gerando renda para o comércio local e lazer para todos. Quando a mudança é visível, a população se engaja junto", disse Sinval Andrade, diretor institucional da Águas do Rio.
Além da orla marítima, essa transformação alcança as veias do estado. O início do processo de recuperação de mananciais emblemáticos, como os rios Maracanã e Ramos, marca a reconstrução do ciclo natural da água, processo no qual o recurso é captado da natureza, abastece as casas, passa pelo tratamento de esgoto e retorna limpo ao meio ambiente.
Ao analisar os desafios do Marco Regulatório do Saneamento, a diretora institucional da Aegea, Tatiana Carius, destacou que a concessão no Rio de Janeiro é um divisor de águas para cumprir as metas de universalização até 2033. Segundo a executiva, a união de forças entre o poder público e a iniciativa privada é a chave para sustentar um projeto de 35 anos, cujos reflexos começam na saúde e se desdobram na valorização imobiliária e no fortalecimento da pesca e do comércio local.
"A Economia Azul está totalmente conectada ao saneamento. Na hora em que tiramos o esgoto sanitário dos nossos ecossistemas, dos oceanos e dos rios, a gente impulsiona negócios e devolve o desenvolvimento para a região. A cada investimento em saneamento, a gente não somente leva saúde para a população, mas também movimenta toda a economia que depende da água", resumiu Tatiana.
O CEO da Aegea, Radamés Casseb, debateu os desafios da liderança e as soluções de engenharia para o saneamento básico em conversa com a jornalista Cristiane Pelajo durante o Rio Innovation Week
O CEO da Aegea, Radamés Casseb, debateu os desafios da liderança e as soluções de engenharia para o saneamento básico em conversa com a jornalista Cristiane Pelajo durante o Rio Innovation Week Divulgação/Águas do Rio
Com o uso de técnicas de rapel, profissional da Águas do Rio trabalha suspenso em encosta do Morro da Providência para instalar tubulações de saneamento onde máquinas convencionais não chegam
Com o uso de técnicas de rapel, profissional da Águas do Rio trabalha suspenso em encosta do Morro da Providência para instalar tubulações de saneamento onde máquinas convencionais não chegam Divulgação/Águas do Rio
Equipamento conhecido como "tatuzinho" é utilizado nas obras de saneamento do Complexo da Maré para perfurar o solo e instalar tubulações sem a necessidade de abrir valas nas ruas
Equipamento conhecido como "tatuzinho" é utilizado nas obras de saneamento do Complexo da Maré para perfurar o solo e instalar tubulações sem a necessidade de abrir valas nas ruas Divulgação/Águas do Rio
A recuperação ambiental da Baía de Guanabara com o avanço do saneamento fortalece a Economia Azul e impulsiona atividades de turismo, pesca e lazer na região
A recuperação ambiental da Baía de Guanabara com o avanço do saneamento fortalece a Economia Azul e impulsiona atividades de turismo, pesca e lazer na região Divulgação/Águas do Rio