Filho de vítima de queda de helicóptero desabafa: 'Ele era alegria'

Sven Rocha lembrou que o pai - comandante da aeronave que caiu na região da Vista Chinesa - era apaixonado pela profissão

Sven Rocha, filho do piloto que morreu em queda de helicóptero, é amparado pela companheira
Sven Rocha, filho do piloto que morreu em queda de helicóptero, é amparado pela companheira -
Rio - Familiares do piloto Alessandro Rocha, que morreu na queda do helicóptero na região da Vista Chinesa, estiveram no Instituto Médico Legal (IML) Afrânio Peixoto, no Centro, para reconhecer e liberar o corpo, na manhã deste domingo (9).
Em pleno Dia dos Pais, o engenheiro Sven Rocha, de 23 anos, filho mais velho do comandante, precisou ser forte para realizar os procedimentos no IML. Ele destacou que Alessandro era uma pessoa cheia de vida e apaixonado pela profissão. 
"Eu achava que ele ia viver para sempre. Não idealizando algo, mas era uma pessoa muito viva. Falava o tempo inteiro, com todo mundo. Ele era alegria. Era instrutor há mais de 20 anos e acumulou muitos anos de voo. Desde que eu o conheço, sou filho do Comandante Rocha. Era um homem que não brincava. Era sério no trabalho", contou.
O jovem revelou que antecipou a comemoração do Dia dos Pais para a última quinta-feira (6), pois não ia conseguir estar presente com o pai neste domingo (9). Na data, a família celebrou com um churrasco.
"Estávamos comemorando o ingresso nessa empresa. Ele tinha um pouco mais de um mês. Falou que estava muito feliz e contente. As coisas estavam caminhando. Era só mais um voo. É uma notícia realmente triste", destacou o filho.
Eliane Ambrósio, representante da empresa Voo Rio Panorâmico, também esteve no IML para dar suporte à família. Segundo ela, o piloto disse - no dia do acidente - que seria uma data abençoada, de realização de sonhos.
"Alessandro estava muito feliz. Ele chegou abençoando todos. Para ele, era um prazer, uma felicidade estar ali. Era um piloto com muita experiência. Está sendo uma grande perda", contou.
Neste sábado (8), a Esquadrilha Ceu, que se apresenta exibindo manobras acrobáticas de voo em eventos, como o Rock in Rio, postou uma homenagem ao comandante. Nas redes sociais, o grupo contou que Rocha era um "grande amigo" e que compartilhava a mesma paixão pela aviação que os integrantes. O esquadrão chegou a realizar uma apresentação, o homenageando pela inauguração de sua escola de aviação civil, em 2024.
"É difícil encontrar palavras quando um companheiro parte. Ficam as lembranças, o carinho, a admiração e a certeza de que aqueles que fizeram da aviação parte de suas vidas nunca deixam verdadeiramente de voar. À família e aos amigos, deixamos nosso mais profundo carinho e nossos sentimentos neste momento de tanta dor. Voe alto, amigo! Você seguirá para sempre voando em nossas lembranças", diz o texto.
Em seu perfil, Alessandro postava vídeos pilotando aeronaves. Ele destacava que tinha mais de 20 anos de instrução de ultraleve e helicópteros. O comandante também compartilhava momentos com a família.
Rocha deixou a mulher e três filhos, sendo uma de 2 anos e um bebê de 3 meses. Ainda não há informações sobre o enterro.
Relembre o caso
O helicóptero pilotado por Rocha caiu na região da Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista, na Zona Norte, no fim da manhã deste sábado (8). A aeronave fazia um voo panorâmico com três turistas colombianas. Os quatro ocupantes morreram carbonizados.
A queda em uma área de mata incendiou o local. Bombeiros especialistas em salvamento, operações aéreas e combate a incêndios florestais atuaram na ocorrência. As chamas foram debelados por volta de 13h. A operação mobilizou cerca de 40 militares, 11 viaturas e quatro unidades operacionais.
O prefixo da aeronave é PP-MFS Robinson R44. O modelo é um helicóptero leve monomotor a pistão de pequeno porte, fabricado nos Estados Unidos pela Robinson Helicopter Company. Ele mede cerca de 11 metros de comprimento, acomoda até três passageiros mais o piloto e tem uma autonomia de voo de aproximadamente 550 km.
Segundo a empresa Voo Rio Panorâmico, a aeronave estava com a manutenção e a documentação em dia. A companhia ainda destacou que Rocha tinha experiência para a condução. Ele mesmo tinha vídeos nas redes sociais pilotando pela empresa.
Além de Alessandro, morreram Rocio Cubillos, de 59 anos; Wendy Manrique, de 37, filha de Rocio; e Sofia Murillo, 17, filha de Wendy e neta de Rocio. A família estava no Rio em uma viagem de comemoração de aniversário de uma parente.
Ainda não há informações sobre a causa do acidente. A Força Aérea Brasileira (FAB), através do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), informou que os investigadores do Terceiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa III), com sede no Rio, foram acionados para realizar a Ação Inicial da ocorrência envolvendo a aeronave.

Durante a Ação Inicial, realizada logo depois do evento, investigadores qualificados e credenciados aplicam técnicas específicas para a coleta e confirmação de dados, a verificação dos danos causados à aeronave ou pela aeronave, além do levantamento de outras informações relevantes.
Nessa etapa, reúnem-se elementos que subsidiarão as fases posteriores da investigação, as quais têm por finalidade identificar possíveis fatores contribuintes para a queda, quando aplicável, permitir a emissão de Recomendações de Segurança voltadas à prevenção de novas ocorrências.
A 19ª DP (Tijuca) também investiga o caso. De acordo com a Polícia Civil, a perícia foi realizada no local, e os agentes aguardam o laudo do Cenipa. Outras diligências estão em andamento para apurar as causas da queda da aeronave.