OMS reforça importância da vacinação infantil após Trump reduzir imunizantes recomendados

Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinar um decreto que visa reduzir o número de vacinas infantis, a Organização Mundial da Saúde defendeu o processo que baseia calendários de vacinação em diversos países.

Durante uma coletiva de imprensa em Genebra nesta terça-feira, 11, o porta-voz da OMS, Tarik Jašarevic, afirmou que há anos a organização e especialistas em saúde estudam a transmissão de doenças, a segurança das vacinas e a maneira como elas protegem pessoas em diferentes idades.

Segundo ele, esses estudos moldaram as orientações globais sobre quais vacinas cada individuo necessita. O porta-voz explicou que, a partir dessa análise científica, a OMS publicou documentos de posicionamento sobre vacinação, explicando fatos sobre cada doença e vacina disponível para preveni-la, bem como o momento de aplicação de cada dose.

Jašarevic citou ainda como, em quase todos os países, os Grupos Técnicos Consultivos Nacionais de Imunização formularam recomendações de políticas e estabeleceram calendários nacionais de imunização. "O que a OMS divulga tem base científica", afirmou Jašarevic. "Esperamos que todos os países utilizem essas evidências científicas mais sólidas de que dispomos."

Trump assinou na segunda-feira, 10, uma ordem executiva que determina a revisão das recomendações para a vacinação infantil nos Estados Unidos e defende a aplicação de algumas vacinas em consultas separadas, contrariando orientações de entidades médicas. A medida retoma uma tese já defendida por Trump - e refutada por evidências científicas -, de que as vacinas infantis deveriam ser aplicadas de forma espaçada.

A ordem orienta que a vacina tríplice viral, contra sarampo, caxumba e rubéola (SCR), seja dividida em três aplicações, administradas em consultas diferentes. O texto também determina que o Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) amplie as pesquisas sobre vacinas, segundo uma ficha informativa divulgada pela Casa Branca. Atualmente, não há vacinas separadas contra sarampo, caxumba e rubéola disponíveis para crianças nos Estados Unidos.

Ao assinar o decreto, Trump repetiu diversas alegações de que a vacina tríplice viral tem relação com o autismo, uma teoria da conspiração já refutada há décadas. O presidente americano e o secretário da saúde do país, Robert F. Kennedy Jr., chegaram a dizer que a dose tripla combinada aumentaria as mortes, também sem nenhuma base científica.