Surto de ebola se propaga mais rapidamente do que os anteriores e OMS espera reverter tendência

Especialistas afirmam que o surto de ebola está avançando mais rapidamente do que os esforços para rastreá-lo e controlá-lo em uma área remota do leste do Congo - região marcada por conflitos constantes e situada perto das fronteiras com o Sudão do Sul, Uganda e Ruanda.

Informações incorretas sobre o vírus circulam nessas comunidades, onde a desconfiança em relação a pessoas de fora faz com que alguns moradores evitem procurar atendimento médico.

"O surto ganhou uma grande vantagem inicial e continua muito à nossa frente; estamos correndo atrás do prejuízo", disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A OMS disse que espera reverter no prazo de três meses a tendência ao crescimento da epidemia de ebola na República Democrática do Congo.

Surgida na província de Ituri (nordeste), a epidemia atual se propaga mais rapidamente que todas as anteriores, segundo a OMS, que reportou 4.449 casos confirmados, com 2.061 óbitos.

A insegurança com a presença de grupos armados e a desconfiança da população complicam a resposta à emergência sanitária.

"Se todos os componentes da resposta forem aplicados simultaneamente nas cinco zonas de transmissão, prevemos uma mudança de tendência dentro de três meses", disse Abdirahman Mahamud, diretor do programa de alerta e resposta de emergência da OMS.

"Isto não significa, no entanto, que a epidemia vá terminar em três meses", explicou a OMS à AFP.

"Inclusive, uma vez controlada a transmissão, teremos que continuar com as atividades de vigilância, preparação e resposta para nos assegurarmos de que o vírus não reapareça e de que os avanços realizados se consolidem", afirmou.

A OMS destaca que a duração real da epidemia dependerá da evolução da transmissão e das medidas de resposta.

Em 15 de maio, a RDC declarou sua 17ª epidemia de ebola, com várias semanas de atraso, antes de a OMS declarar, dois dias depois, uma emergência de saúde pública de importância internacional, seu segundo nível de alerta mais alto.

"Nesta fase, é impossível determinar com precisão quando a epidemia começou. Estão sendo feitos trabalhos a respeito. Segundo as estimativas, teria começado dois ou três meses antes da declaração da emergência de saúde pública de importância internacional", declarou, por sua vez, Chikwe Ihekweazu, que chefia o programa de gestão de emergências sanitárias da OMS.

Atualmente, a epidemia assola várias províncias do nordeste e do leste da RDC, regiões densamente povoadas onde a presença do Estado é frágil e as infraestruturas sanitárias estão amplamente desprovidas de recursos.

O ebola, transmitido por contato com fluidos corporais e que provoca uma febre hemorrágica, causou a morte de mais de 15 mil pessoas na África nos últimos 50 anos.

Esta é a 17ª epidemia de ebola no país, já considerada a mais importante de sua história e suscetível de "tornar-se a maior já registrada no mundo", segundo Sania Nishtar, diretora da Aliança das Vacinas (Gavi).

O balanço aproxima a atual epidemia do surto registrado entre 2018 e 2020, o mais letal até hoje na RDC, com quase 2.300 mortos para 3.500 doentes registrados.