Inaugurada em 23 de julho de 2025, a Unidade Coronariana, conhecida como UCO, foi criada para receber pacientes com alterações cardíacas que precisam de acompanhamento especializado e resposta rápida. A estrutura funciona dentro do HPM e possui cinco leitos destinados a casos que exigem cuidados mais específicos do que os oferecidos em uma enfermaria convencional ou em uma unidade de pronto atendimento.
A diretora do HPM, Cristielle Mosqueira, explica que muitos pacientes chegam à UCO após o primeiro atendimento em UPAs, pronto-socorros ou outras unidades de saúde. Depois da avaliação inicial e da realização dos exames necessários, os casos que apresentam indicação são encaminhados para o atendimento especializado.
Unidade Coronariana do HPM conta com cinco leitos e estrutura especializada para atendimento de pacientes cardíacosFoto: Divulgação
Na unidade, os profissionais têm à disposição exames como análises de sangue, eletrocardiograma e ecocardiograma. O espaço também permite a realização de procedimentos como cardioversão elétrica, cardioversão química e implante provisório de marcapasso. A estrutura concentra recursos que ajudam a equipe a identificar alterações, acompanhar a evolução do paciente e definir com maior rapidez a conduta adequada.
A secretária municipal de Saúde, Simone Sales, destaca que a principal diferença está justamente na especialização do atendimento.
"Os pacientes internados sob nossos cuidados são aqueles que ficariam numa unidade de pronto atendimento, numa UTI simples ou na enfermaria de um hospital. A diferença é que se trata de um espaço especializado, o que traz um impacto importante para a saúde do paciente, que vai receber o tratamento adequado", afirmou.
Os números ajudam a dimensionar o trabalho realizado desde a abertura da unidade. Em pouco mais de um ano, 160 pacientes passaram pelos cinco leitos da UCO. Desse total, 159 receberam alta médica. A unidade permaneceu um ano e um mês sem registrar mortes e contabilizou um óbito desde a inauguração.
Para Cristielle Mosqueira, o resultado está relacionado à combinação entre estrutura, qualificação profissional e rapidez na resposta aos casos.
"Eu atribuo esse resultado à qualidade do serviço, aos profissionais capacitados e aos exames que conseguimos realizar de prontidão. Quando agimos com rapidez, aumentamos as possibilidades de melhorar o quadro dos pacientes", afirmou.
Entre os pacientes atendidos está Moisés Oliveira, de 60 anos. Técnico de enfermagem, ele chegou ao HPM com um princípio de infarto e considera que a velocidade da assistência foi decisiva para impedir a evolução do quadro.
"Foi tudo muito rápido. Eu já estava com sintomas de infarto e eles tomaram as providências necessárias para impedir que o quadro se agravasse", relembrou.
Além dos atendimentos clínicos, a UCO também funciona como porta de entrada para pacientes que precisam de procedimentos de maior complexidade. Desde a inauguração, 83 pacientes foram encaminhados para cateterismo, 36 para angioplastia e 11 para cirurgias cardíacas.
A unidade também contabilizou três procedimentos de trombólise, dez implantes provisórios de marcapasso, 12 cardioversões químicas e quatro cardioversões elétricas. Dos 160 pacientes atendidos, 90 receberam apenas tratamento clínico, sem necessidade de procedimentos especializados.
A estrutura também reforça a integração da rede municipal com serviços de referência em cardiologia. Quando o quadro ultrapassa a capacidade de atendimento da UCO, o paciente é encaminhado para o procedimento ou tratamento indicado, de acordo com a regulação de saúde.
Embora tenha como prioridade os moradores de Macaé, a Unidade Coronariana também recebe pacientes de municípios vizinhos, principalmente em situações consideradas graves. Segundo Cristielle, a localização estratégica do município e a existência de uma estrutura especializada ampliam a capacidade de resposta para toda a região.
"Precisamos dar prioridade aos cidadãos macaenses, mas não podemos negar atendimento. Também recebemos pacientes de municípios vizinhos, principalmente em casos graves. É uma unidade de extrema relevância quando pensamos na população e na saúde como um todo", destacou.
Para quem trabalha na unidade, porém, o melhor cenário ainda é aquele em que o paciente não precisa chegar até lá. A prevenção continua sendo a principal aliada contra doenças cardiovasculares, com atenção aos sinais do corpo e acompanhamento regular da saúde.
Mas, diante de uma emergência, a existência de uma estrutura especializada pode representar uma diferença decisiva. A proposta da UCO é justamente oferecer atendimento rápido, acompanhamento contínuo e recursos adequados para enfrentar situações em que o tempo pesa contra o paciente.
"Desejamos que ninguém tenha um problema cardíaco, mas também queremos que as pessoas saibam que estamos de portas abertas para atender quem precisa, com equipe qualificada, profissionais de prontidão e os exames necessários. Tudo para solucionar qualquer questão relacionada à saúde cardiológica", finalizou Cristielle.
A experiência da Unidade Coronariana também mostra como a especialização de serviços públicos pode mudar a resposta diante de situações de emergência. Em pouco mais de um ano, os cinco leitos receberam 160 pacientes e ajudaram a estruturar uma linha de cuidado específica para casos cardíacos agudos, aproximando de Macaé um atendimento que antes dependia, em maior medida, de deslocamentos e encaminhamentos para serviços especializados.