Rio - Glória Menezes, um dos maiores nomes da dramaturgia brasileira, morreu nesta terça-feira (18), aos 91 anos, no Rio. Segundo a equipe da atriz, a morte ocorreu por causas naturais. Com mais de seis décadas de carreira, ela construiu uma trajetória de destaque na televisão, no teatro e no cinema e participou de mais de 40 novelas da TV Globo.
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Nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 19 de outubro de 1934, ela foi batizada como Nilcedes Soares de Magalhães. O primeiro nome surgiu da combinação dos nomes dos pais: José Nilo e Mercedes. "Nil" veio de Nilo e "cedes", de Mercedes. Aos seis anos, mudou-se com a família para São Paulo, cidade onde cresceu e iniciou sua formação artística.
Ainda jovem, Glória passou a se interessar pelo teatro e estudou na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo. Também integrou o grupo amador Jovens Independentes. Antes de iniciar a carreira profissional, porém, viveu seu primeiro casamento.
Aos 17 anos, se casou com um primo. Anos depois, a atriz contou que a união ocorreu em um contexto no qual buscava liberdade para estudar teatro e seguir a profissão. Desse relacionamento nasceram seus dois primeiros filhos, João Paulo e Maria Amélia.
No fim da década de 1950, ela começou a se dedicar de forma profissional à atuação. Em 1959, participou de um festival de teatro amador promovido pelo diretor Antunes Filho e recebeu o prêmio de Atriz Revelação. No mesmo ano, estreou na televisão em "Um Lugar ao Sol", da TV Tupi.
Foi no início da carreira que Nilcedes passou a usar o nome artístico Glória Menezes. O sobrenome escolhido tinha relação com suas raízes portuguesas e, segundo relatos da própria atriz, ela também gostava do fato de o nome completo ter 13 letras, número que considerava de sorte.
Em 1962, integrou o elenco da peça "As Feiticeiras de Salém", de Arthur Miller, sob direção de Antunes Filho. Na mesma época, chegou ao cinema com "O Pagador de Promessas" (1962), de Anselmo Duarte. O longa conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes.
Encontro com Tarcísio Meira
Foi nos primeiros anos da carreira que Glória conheceu Tarcísio Meira. Os dois contracenaram em produções da TV Tupi, começaram a namorar e se casaram em 1962. Da união nasceu Tarcísio Filho, único filho do casal.
A parceria pessoal logo se estendeu à televisão. Em 1963, os dois protagonizaram "2-5499 Ocupado", da TV Excelsior, produção considerada a primeira novela diária da televisão brasileira. Depois, voltaram a atuar juntos em "A Deusa Vencida" (1965) e "Almas de Pedra" (1966).
Em 1967, Glória e Tarcísio foram contratados pela TV Globo e estrearam na emissora em "Sangue e Areia". Ela interpretou Doña Sol e, a partir daquele trabalho, passou a ocupar espaço constante nas principais produções da casa.
Ao longo das décadas seguintes, Glória se consolidou como uma das protagonistas da teledramaturgia brasileira. Esteve em "Rosa Rebelde" (1969), "Irmãos Coragem" (1970), "O Homem que Deve Morrer" (1971), "Cavalo de Aço" (1973), "O Grito" (1975), "Espelho Mágico" (1977), "Pai Herói" (1979) e "Jogo da Vida" (1981).
Em "Irmãos Coragem", viveu Lara, Diana e Márcia, três personalidades da mesma personagem. O trabalho se tornou um dos marcos da primeira fase de sua trajetória na Globo.
Na década de 1980, participou de produções como "Guerra dos Sexos" (1983), "Corpo a Corpo" (1984) e "Brega & Chique" (1987). Em 1988, voltou a dividir o protagonismo com o marido no seriado "Tarcísio & Glória", no qual os dois também atuaram como produtores. Na atração, Glória interpretava Ava Becker, uma cientista extraterrestre que chegava à Terra e se envolvia com Bruno Lazzarini, empresário corrupto vivido por Tarcísio.
Papéis marcantes nas décadas seguintes
Em 1990, Glória viveu Laurinha Figueroa em "Rainha da Sucata", um dos papéis mais lembrados de sua carreira. A personagem voltou a ganhar destaque décadas depois com a reprise da novela pela Globo em 2025 e 2026.
Na sequência, participou de "Deus nos Acuda" (1992), "A Próxima Vítima" (1995) e "Torre de Babel" (1998). Nos anos 2000, continuou presente nas novelas da emissora. Esteve em "Porto dos Milagres" (2001), "O Beijo do Vampiro" (2002), "Da Cor do Pecado" (2004), "Senhora do Destino" (2004), "Páginas da Vida" (2006) e "A Favorita" (2008).
Já na década seguinte, integrou os elencos de "Joia Rara" (2013) e "Totalmente Demais" (2015), sua última novela. Segundo o Memória Globo, Glória participou de mais de 40 telenovelas da emissora ao longo da carreira.
Em 2016, anunciou que pretendia se aposentar das novelas, mas ainda fez aparições pontuais na televisão. Em 2018, participou como ela mesma do humorístico "Tá no Ar: a TV na TV". Dois anos depois, esteve no primeiro episódio da série "Os Casais que Amamos", exibida pelo canal Viva.
Quase seis décadas ao lado de Tarcísio
Glória e Tarcísio permaneceram casados por 59 anos. Enquanto construíam carreiras paralelas e também dividiam trabalhos na televisão, formaram uma família ao lado de Tarcísio Filho e dos dois filhos mais velhos da atriz, João Paulo e Maria Amélia.
Nos últimos anos da vida do ator, o casal morava em uma fazenda em Porto Feliz, no interior de São Paulo. Em agosto de 2021, os dois foram internados com Covid-19. Tarcísio morreu em 12 de agosto daquele ano, aos 85 anos, em decorrência de complicações da doença. Glória permaneceu hospitalizada e recebeu alta quatro dias depois.
Após a morte do marido, ela passou a levar uma vida mais reservada e se mudou para o Rio de Janeiro para ficar mais próxima da família. Em 2026, Glória recebeu uma homenagem da TV Globo na Calçada da Fama da emissora, em reconhecimento à contribuição para a dramaturgia brasileira.
Da estreia em "Um Lugar ao Sol", em 1959, ao último papel em novela, em "Totalmente Demais", em 2015, Glória Menezes atravessou diferentes fases da televisão brasileira. Ela deixa três filhos e uma trajetória que também passou pelo teatro e pelo cinema, além de dezenas de personagens que marcaram mais de seis décadas de carreira.

