Polícia mira 'golpe da fé'

Civil investiga esquema de pirâmide financeira em banco ligado à igreja

Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão contra acusados
Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão contra acusados -

A Polícia Civil fez, ontem, operação para desarticular um grupo especializado em aplicar golpes financeiros e lavar dinheiro por meio de um banco digital vinculado a uma igreja evangélica. Segundo a corporação, a quadrilha causou um prejuízo superior a R$ 1 milhão às vítimas e envolveu os clientes em um esquema de pirâmide financeira.

A Operação 'Golpe de Fé', deflagrada pela Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (Dcoc-LD), tem o objetivo de cumprir 23 mandados de busca e apreensão - contra pessoas físicas e jurídicas - em endereços no Rio, em Niterói, São Gonçalo, Caxias e também no município de São Paulo.

A ação busca apreender documentos, dispositivos eletrônicos, joias, veículos e valores em espécie relacionados aos crimes de estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Segundo as apurações, o pastor Roberto Soares - da Igreja Apostólica Vida e Adoração, inicialmente localizada em São Gonçalo e atualmente instalada em Niterói - usava sua posição de líder religioso para conquistar a confiança dos fiéis e influenciá-los a investir na plataforma "Gal Invest Bank", operada pela empresa Grupo América Latina, conhecida entre as vítimas como "Banco do Pastor".

A promessa feita aos devotos eram rendimentos de, aproximadamente, 10% ao mês dos valores investidos. Após a captação dos recursos, os lucros prometidos deixavam de ser pagos.

"Consistia no famoso golpe da pirâmide. Ele arrecadava valores com a promessa de devolver e efetuava os primeiros pagamentos. As pessoas se empolgavam e depositavam mais. Depois de passar um certo tempo, os valores eram subtraídos e não voltavam mais para as pessoas. Ele subtraía para si. Na verdade, usava o púlpito como um verdadeiro balcão de negócios", explicou o delegado Vinicius Miranda, titular da Dcoc-LD.

A reportagem fez contato com o pastor no Instagram, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição. O espaço está aberto para manifestação.