Homem é condenado a 24 anos de prisão por assassinar mulher trans no Rio

Bárbara Vergetti Martins de Souza foi morta em 29 de setembro de 2024 no Cachambi, Zona Norte

Vítima foi encontrada com sinais de estrangulamento
Vítima foi encontrada com sinais de estrangulamento -
Rio - O Conselho de Sentença do II Tribunal do Júri da Capital condenou, nesta quinta-feira (20), Vitor Teodoro Cossich a 24 anos de prisão em regime inicialmente fechado pela morte de Bárbara Vergetti Martins de Souza, mulher trans que tinha 34 anos na época do crime. Além da pena de reclusão, ele foi condenado a pagar R$ 30 mil de indenização aos familiares da vítima por danos morais.
LEIA MAIS: Segurança se entrega à polícia por morte de homem em Copacabana

A decisão foi proferida após julgamento presidido pelo juiz Renan de Freitas Ongaratto. Os jurados reconheceram as qualificadoras de motivo torpe e meio cruel.

Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime ocorreu na madrugada de 29 de setembro de 2024 dentro da residência do réu. Bárbara foi agredida e estrangulada até a morte após um desentendimento com Vitor. Os dois mantinham um relacionamento. 

De acordo com a acusação, para dominar a vítima, Vitor utilizou um simulacro de arma de fogo, além de um fio e um pano empregados no estrangulamento. Seu corpo foi localizado em 1º de outubro de 2024, no imóvel onde ele vivia, no Cachambi, na Zona Norte. O laudo apontou que ela morreu por asfixia provocada por esganadura.
Ao fixar a pena, o magistrado considerou a forma como o crime foi praticado e o motivo reconhecido pelos jurados. A condenação foi estabelecida em 24 anos de reclusão, a serem cumpridos inicialmente em regime fechado.

Desaparecimento mobilizou familiares

As investigações apontaram que ela havia saído de Copacabana para encontrar o suspeito, proprietário de uma barbearia no Cachambi. O imóvel onde o corpo foi localizado era alugado por ele.

Na época, testemunhas relataram à polícia terem ouvido uma discussão intensa e pedidos de socorro vindos do local. A Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) e a Delegacia de Homicídios da Capital conduziram as investigações que resultaram na identificação do autor do crime.

Pesquisadora e estudante

Bárbara Vergetti Martins de Souza era formada em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e havia comemorado recentemente a aprovação para um curso de mestrado.

Nas redes sociais e em atividades acadêmicas, ela costumava abordar temas relacionados a gênero, diversidade e direitos da população LGBTQIA+.

A morte gerou comoção entre amigos, familiares e integrantes da comunidade acadêmica, que acompanharam o andamento das investigações e cobraram a responsabilização do autor.
A reportagem tenta contato com a defesa de Vitor Teodoro para que comente a sentença. O espaço segue aberto para posicionamentos.