Mulheres em situação de violência podem receber atendimento remoto e gratuito em saúde mental por meio do aplicativo Meu SUS Digital. O serviço foi anunciado nesta semana pelo Ministério da Saúde e está disponível em todo o País.
Além de vítimas de violência, a iniciativa contempla mães, tias, avós, irmãs e outras familiares que cuidam de pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras. Segundo a pasta, a capacidade é de até 100 mil teleatendimentos por mês.
Chamado de Acolhe Mais, o serviço começou em março deste ano como um projeto-piloto nas cidades de Recife e Rio de Janeiro, inicialmente voltado a mulheres em situação de violência. Com a ampliação, ele passou a atender todos os estados e a incluir também familiares que exercem atividades de cuidado.
"A proposta é oferecer o teleatendimento diretamente à população como uma primeira forma de acolhimento e de início do plano terapêutico. Depois, esse cuidado será articulado com a rede local, nos estados e municípios", afirma o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em nota.
Como agendar uma consulta
O acesso começa pelo aplicativo Meu SUS Digital. Após entrar com a conta gov.br, a usuária deve procurar a área "Miniapps" e selecionar a opção "Acolhe Mais + Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres".
O aplicativo direciona a usuária para a plataforma da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS). Nessa etapa, é necessário fazer um cadastro e indicar o motivo da procura pelo serviço, se está relacionada a uma situação de violência atual ou passada ou à rotina de cuidado de um familiar.
Depois do cadastro, a equipe responsável tem até 24 horas para entrar em contato. A própria usuária pode escolher, entre as opções disponíveis, o dia e o horário da consulta. O link de acesso à teleconsulta é enviado antes do atendimento.
Quantas consultas podem ser feitas?
O acompanhamento pode ter até dez sessões. Caso seja necessário, um novo ciclo de consultas pode ser iniciado.
A proposta é que o atendimento online também funcione como uma porta de entrada para outros serviços de saúde. Depois das sessões, a mulher poderá ser direcionada a um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) ou a outro ponto da rede do Sistema Único de Saúde (SUS) para continuar o acompanhamento.
Se não houver um serviço local disponível para dar sequência ao cuidado, o Ministério da Saúde prevê a manutenção do acompanhamento a distância.
Quem pode usar e quais são os horários?
O Acolhe Mais atende dois grupos: mulheres que enfrentam ou já enfrentaram algum tipo de violência e mulheres que cuidam de familiares com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras.
As consultas podem ser realizadas de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 14h.
O atendimento psicológico online não substitui os serviços de emergência. Em caso de risco imediato à integridade ou à vida da mulher, devem ser acionados os canais de emergência.
Canais de apoio para mulheres em situação de violência
Além do atendimento psicológico pelo SUS, mulheres em situação de violência podem procurar outros serviços de orientação, denúncia e proteção:
Central de Atendimento à Mulher
O Ligue 180 é gratuito e funciona 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana e feriados. O canal recebe denúncias, orienta sobre direitos e informa onde encontrar serviços especializados de atendimento.
Também é possível entrar em contato pelo WhatsApp, no número (61) 9610-0180, e há opção de atendimento por e-mail e em Libras. Saiba mais aqui.
Polícia Militar
Em situações de emergência, quando a violência estiver acontecendo ou houver risco imediato à segurança da mulher, a Polícia Militar pode ser acionada pelo telefone 190.
Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams)
As Deams são unidades especializadas no atendimento a mulheres vítimas de violência. Nelas, é possível registrar ocorrência e buscar informações sobre medidas de proteção e outros procedimentos previstos em lei.
Os endereços das delegacias especializadas no Estado de São Paulo podem ser consultados pelo site. Nos municípios onde não há uma unidade especializada, a mulher pode procurar uma delegacia da Polícia Civil.

