O médico e empresário Heron Zini, de 38 anos, que mora em Itajaí (SC) e viajaria de São Paulo para o Rio de Janeiro, perdeu compromissos e teve de remarcar seu voo de volta para Santa Catarina devido ao incidente com um jatinho no Aeroporto de Santos Dumont, no Rio, na quinta-feira, 27. Ele estava no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, esperando o embarque, quando foi informado que seu voo para o Rio tinha sido cancelado. "Disseram que um avião tinha saído da pista no Santos Dumont e que as operações foram interrompidas. Vários voos foram cancelados, inclusive o meu."
O incidente ocorreu às 16h10 e a pista do aeroporto foi liberada às 23h após a remoção do jatinho. De acordo com a Infraero, o avião, de prefixo PS-VEE, derrapou e parou em uma área gramada. Estavam a bordo o piloto e um tripulante.
Durante a suspensão das operações, 15 voos alteraram para o Aeroporto do Galeão e 71 foram cancelados entre partidas e chegadas em função do acidente. Segundo a Aena, responsável pelo Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, por conta do incidente no Rio, 18 partidas e 19 chegadas com origem ou destino no aeroporto Santos Dumont foram canceladas.
O "efeito cascata" continuou nesta sexta-feira, 28, e pelo menos 13 voos foram cancelados no Aeroporto Santos Dumont, com impactos nos terminais de Brasília, Belo Horizonte, Guarulhos, Congonhas e Viracopos. A Infraero informou que os cancelamentos ocorreram porque algumas aeronaves pernoitariam no terminal, mas não conseguiram pousar devido ao bloqueio da pista, que ficou fechada por quase sete horas para a remoção do jatinho.
Zini contou que a companhia aérea o realocou para um voo da manhã desta sexta-feira, 28, e deu duas opções: ir para um hotel ou transporte de ida e volta para o aeroporto. "Escolhi o transporte por um motivo pessoal. Como minha empresa administra imóveis em São Paulo, se preciso passar mais uma noite em São Paulo, prefiro ficar em um dos apartamentos que administramos", disse ao Estadão.
O empresário foi para um prédio no Itaim, onde sua empresa administra cerca de 40 apartamentos para short stay (estadia de curta duração). "E o mais curioso é que só três apartamentos estavam disponíveis. Por sorte, um deles é o meu favorito", conta.
O empresário diz que o cancelamento prejudicou seu trabalho no Rio. "Eu tinha marcado um compromisso às 9 horas de hoje (sexta-feira) e contratado um profissional para fazer a filmagem de apartamentos que administramos no Rio. Com meu atraso, ele avisou que já tinha outros trabalhos programados e desmarcou comigo. É um transtorno imenso, pois vai ser muito difícil achar outro profissional e realizar tudo o que estava planejado."
Devido ao cancelamento, ele também teve de mudar seu voo de volta para Santa Catarina.
Por demandas da empresa, o empresário toma voos com frequência e conta que há duas semanas já havia tido problemas. "Eu viajava de São Paulo para Navegantes (SC) e, quando fomos pousar, o piloto foi orientado a arremeter, pois não havia condições de pouso devido a um nevoeiro. Como o aeroporto de Florianópolis também estava fechado, o avião acabou pousando em Curitiba. Foram 3 horas de viagem por terra para chegar ao meu destino."

