Rio - A Prefeitura do Rio e o Governo do Estado anunciaram, na manhã desta terça-feira (1º), a criação de um núcleo integrado de combate a roubos, furtos e receptação de cabos na capital. Segundo levantamento do Município, esses crimes - cometidos em semáforos e postes de iluminação - já causaram um prejuízo de mais de R$ 69 milhões.
Entre as medidas previstas para a atuação está a desapropriação dos terrenos de ferros-velhos que recebem materiais receptados. A prefeitura informou que dois estabelecimentos de Sampaio, na Zona Norte, já foram desapropriados e tiveram suas licenças cassadas.
O anúncio da criação do núcleo ocorreu na manhã desta terça-feira (1º) na sede do Centro de Operações e Resiliência (COR), na Cidade Nova, na região central. A medida foi publicada em Diário Oficial.
O núcleo funcionará de forma integrada e permanente com objetivo de identificar locais, horários e padrões de furto, mapear pontos recorrentes dos delitos, identificar ferros-velhos e estabelecimentos suspeitos de receptação e cruzar ocorrências envolvendo materiais furtados.
Além das medidas policiais e criminais, a prefeitura poderá desapropriar terrenos, fiscalizar as licenças e as documentações, apreender materiais de origem irregular, interditar estabelecimentos e cassar ou suspender a atividade econômica do local.
"A decisão é institucional e política. Vamos fazer a desapropriação desses imóveis. São só a primeira etapa. Vamos avançar para todos os ferros-velhos ilegais, semana a semana, desapropriando as áreas para elas terem outras atividades. A prefeitura vai usar o poder constitucional de desapropriar, com um olhar de enfrentamento ao crime. Melhor para a cidade e pior para a atividade criminosa", destacou o prefeito Eduardo Cavaliere (PSD).
O secretário Roberto Leão, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do Governo do Rio, valorizou a integração entre o município e o estado.
"Uma instituição sozinha não consegue resolver um problema na cidade. Quando falamos a mesma linguagem, acho que o resultado vem e conseguimos aumentar a sensação de segurança. Acho que esse é o único caminho que temos para conseguir reverter essa crise que a gente passa em vários setores da sociedade. Acho que medidas dessa natureza devem cada vez mais fomentadas", disse.
Grande Tijuca principal alvo de criminosos
Dados da prefeitura apontam que a região da Grande Tijuca, na Zona Norte, é o principal alvo de criminosos interessados no furto de cabos de semáforos, com 116 km de materiais levados. Além disso, foram furtados 144 controladores de semáforos, que são os dispositivos que permitem o funcionamento de sinais. Com os furtos ocorridos apenas nessa área, o prejuízo é superior a R$ 8 milhões.
"Vamos atacar esses criminosos que param com a operação da cidade. Queremos quebrar a cadeia criminosa. Vamos fiscalizar estabelecimentos que compram. A gente quer atuar na cadeia logística. Criminoso não vai fazer vez no Rio", afirmou Marcus Belchior, secretário de Ordem Pública.
Entre as principais vias prejudicadas estão a Rua 24 de Maio, a Avenida Marechal Rondon, o Boulevard 28 de Setembro. Ruas de Cachambi e Méier, ainda na Zona Norte, também são procuradas por criminosos.
A primeira etapa de atuação do núcleo integrado será nessas áreas. O projeto pretende reduzir em, pelo menos, 75% o número de furtos na região. A estratégia prevê a substituição de cabos por materiais sem valor econômico e a colocação de controladores de semáforos no alto de postes.
Serão instalados mais 14 km de cabos de sinais em 54 cruzamentos do Grande Méier e da Grande Tijuca. A estimativa para implantação é de seis semanas. Além disso, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Rio) colocará novas caixas para abrigar dutos e posicionar cabos de semáforo no subsolo, sem valor comercial.
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