Sem abraços: Como foi o reencontro de Liam e Noel Gallagher após 15 anos?

A tão aguardada reunião de Liam e Noel Gallagher não teve abraços emocionados nem conversas sobre os anos em que os irmãos ficaram afastados. Segundo Will Lovelace e Dylan Southern, diretores do documentário da Disney+ Oasis: Don't Look Back in Anger, o reencontro aconteceu de maneira mais prática: os dois se concentraram na música e na preparação para a turnê que marcou o retorno do Oasis aos palcos.

Os cineastas tiveram acesso aos bastidores da preparação da banda no início de 2025. O trabalho acompanhou os ensaios que antecederam a turnê mundial do grupo, que passou pelo Reino Unido, Irlanda, Canadá, Estados Unidos, Coreia do Sul, Japão, Austrália e América do Sul.

"Foi incrível assistir. Foi muito interessante ouvir a música tomando forma, depois de não tê-los ouvido tocar como banda por 15 ou 16 anos, mas também vê-los se reconectando. Foi uma visão privilegiada", contou Lovelace à Variety.

Apesar de acompanharem de perto aquele momento, os diretores optaram por não permanecer dentro do estúdio durante os ensaios. A equipe deixou câmeras posicionadas previamente e acompanhou o trabalho à distância.

A decisão foi tomada para evitar que a presença da equipe interferisse na relação entre os irmãos. Southern explicou que os cineastas sabiam da delicadeza daquele primeiro período de convivência prolongada entre Liam e Noel em cerca de 15 anos.

"Nós não queríamos que parecesse mediado. Não queríamos que parecesse que havia uma equipe de câmeras irritante correndo por ali e atrapalhando. E sabíamos o quanto aquilo era sensível, porque era literalmente a primeira vez que eles estavam em uma sala juntos por um período prolongado em 15 anos", afirmou.

Reencontro sem grandes emoções

Os diretores também não presenciaram a cena de reconciliação que muitos poderiam esperar. Em vez de uma conversa sobre sentimentos, os irmãos começaram a trabalhar no repertório da turnê.

"São os Gallaghers, não Dawson's Creek. Eles não vão sentar e conversar sobre suas emoções", brincou Southern.

Segundo ele, o que mais chamou sua atenção foi a seriedade com que Liam e Noel encararam a preparação. Assim que Liam chegou, os dois começaram a revisar músicas como Wonderwall, Champagne Supernova e Live Forever.

"Foi muito profissional. Não houve nenhum tipo de brincadeira. Assim que Liam chegou, foi como: 'Certo, vamos fazer isso?'. E eles passaram por todo o repertório", contou.

Para Lovelace, aquela postura fazia parte da preparação para o que descreve como "o maior retorno do rock and roll que o mundo já viu".

Turnê ajudou a dissipar tensão

Mesmo com a postura profissional durante os ensaios, os diretores perceberam que ainda havia tensão entre os irmãos. A situação, segundo Lovelace, começou a mudar diante do público, no primeiro show da turnê, realizado em Cardiff, no País de Gales.

"Havia uma tensão definida. E, da nossa perspectiva como observadores, isso não desapareceu até o primeiro momento em que a energia de expectativa da multidão encontrou o nervosismo da banda. Foi um momento de alquimia", afirmou.

Para o diretor, a reação do público mostrou a dimensão do retorno do Oasis. A espera de 16 anos pela volta da banda criou uma atmosfera que ultrapassava a relação entre os próprios integrantes.

Lovelace também afirmou que, apesar da especulação de que o retorno teria como principal motivação o dinheiro, os irmãos demonstraram preocupação em entregar uma experiência à altura da expectativa dos fãs.

"Eles sentiram o peso da responsabilidade com os fãs, e rapidamente ficou evidente que aquela seria uma história para fazer as pessoas se sentirem bem. Havia tensão. Havia um pouco de: 'Isso pode dar errado?'. Mas sentimos que eles estavam extremamente focados e não era simplesmente uma questão de aparecer, fazer os shows e pegar o dinheiro", disse.

Documentário chega às telas Imax

Oasis: Don't Look Back in Anger será lançado nas salas Imax no dia 11 de setembro. Para Lovelace, a proposta é fazer com que o público tenha uma experiência próxima a de acompanhar a banda ao vivo durante a turnê.

"Nós queríamos que fosse o mais próximo possível da experiência de estar lá", explicou.

O documentário também pretende recuperar a estética associada ao retorno do Oasis em 2025, marcado, entre outros elementos, pela presença dos chapéus bucket usados pelos fãs.

Southern chegou a sugerir uma forma de levar o acessório para as sessões do filme: "Acho que os cinemas estão perdendo uma oportunidade se não tiverem baldes de pipoca em formato de chapéu bucket."