O ateliê My Vintage Dress, que deixou noivas sem os vestidos às vésperas das festas de casamento, é alvo de uma ação de despejo por não pagar o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) de um imóvel alugado em Alto de Pinheiros, bairro nobre da zona oeste de São Paulo.
O advogado Sérgio Paulo Livovschi, que representa o espólio do proprietário do imóvel, entrou com uma ação de despejo na quinta-feira, 3, após os débitos de IPTU chegarem a pouco mais de R$ 41 mil.
Procurada, a My Vintage Dress não retornou à tentativa de contato do Estadão. O espaço segue aberto.
Na petição inicial, à qual o Estadão teve acesso, o advogado informou que a loja alugou o imóvel localizado na Avenida Fonseca Rodrigues pelo valor mensal de R$ 60 mil, por 48 meses, com início em 16 de março.
Devido à carência concedida para obras de adaptação do imóvel, o primeiro aluguel deveria ser pago somente em setembro. Por outro lado, o IPTU, no valor de R$ 7.506,94 mensais, deveria ser pago pela loja a partir de abril.
No entanto, a My Vintage Dress não pagou nenhuma das parcelas do imposto entre abril e agosto. Segundo o documento, com o acréscimo da multa contratual de 10%, a dívida está em R$ 41.288,17. Caso o aluguel não seja pago até sábado, 5, o valor será incluído no débito da empresa.
O advogado solicitou que, caso a dívida não seja paga dentro do prazo legal, o contrato de locação seja rescindido e a empresa seja despejada, além de condenada a pagar os débitos já vencidos, os aluguéis e encargos que forem vencendo durante o processo e a multa prevista no contrato, equivalente a três meses de aluguel, mas proporcional ao período que ainda falta para terminar o contrato, estimada no documento em R$ 161.250.
Entenda o caso
Clientes do ateliê foram ao estabelecimento na terça-feira, 1º, em busca de vestidos após serem informadas sobre problemas na empresa. Segundo relatos de uma das noivas, a loja não entregou o vestido comprado e deixou de retornar as mensagens às vésperas do casamento.
Letícia Queiroz relatou dificuldades para retirar o vestido. Após ter a retirada cancelada na segunda-feira, 31, e não conseguir contato com a empresa, ela foi até a loja.
Nas redes sociais, ela compartilhou as tentativas frustradas de contato com a loja nos últimos dias e também detalhes da experiência durante os primeiros atendimentos. Segundo a noiva, a loja cogitou agendar a entrega do vestido para uma data posterior ao dia do casamento.
Na quarta-feira, 2, a My Vintage Dress afirmou que enfrentou problemas devido ao "volume excepcional de pedidos e desafios na produção".
"Diante de um período de volume excepcional de pedidos e desafios na produção, decidimos fechar temporariamente a loja para novas vendas, concentrando todos os esforços nas clientes que já possuem pedidos em andamento", afirmou nas redes sociais.
Segundo a empresa, na segunda-feira, 31, mais de 50 pessoas entraram na loja sem autorização e levaram alguns vestidos. "Por isso, nossa equipe decidiu retirar alguns vestidos do local por segurança. As imagens da loja vazia foram posteriormente divulgadas como se significassem o encerramento das atividades."
A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP) afirmou que o caso é investigado pelo 14º Distrito Policial, de Pinheiros, para apurar eventual prática de estelionato ou outros crimes.
"A unidade realiza oitivas, acompanha possíveis novos registros e mantém contato com outras delegacias e departamentos policiais para o compartilhamento de informações e o aprofundamento das investigações", afirmou a pasta. "As diligências prosseguem para o completo esclarecimento dos fatos e eventual responsabilização dos envolvidos."

