Não faz tanto tempo assim que Demi Lovato esteve no Brasil. Mas ela era bem diferente da Demi que subiu ao Palco Mundo do Rock in Rio, no sábado, 12, antes do headliner Maroon 5. Com um show de calibre, uma multidão que acompanhou a cantora e até a participação de Pabllo Vittar, cantando Cool For The Summer, fica difícil entender por que ela não foi escolhida para ser a atração principal do dia.
Demi esteve no País em 2023, quando se apresentou no The Town, em São Paulo. Era uma fase bem particular: ela apostava no rock, com o recém-lançado Holy Fvck.
Não era a primeira vez que a cantora se aventurava no gênero - seus hits mais antigos, como Complicated, apresentado no Rock in Rio, têm um pé no pop-rock. Mas Demi está mais pop, mais leve e fez as pazes com seu passado conturbado.
No festival carioca, a cantora apresentou a turnê de seu último álbum, It's Not That Deep (Não é tão profundo assim, em tradução livre), e fez questão de frisar que foi seu 28.° show no Brasil. Em vez de focar nas músicas recém-lançadas, porém, fez uma apresentação que foi um verdadeiro deleite para os fãs.
Subiu ao palco com uma sequência de três músicas mais recentes: Fast, Kiss e Frequency, todas com um pé no pop eletrônico, em alta atualmente. Mas logo começou a cantar hit atrás de hit e relíquia atrás de relíquia, como Heart Attack, de 2013, e Skyscraper e Give Your Heart a Break, ambas de 2011.
Ficou claro que os fãs que compareceram em peso para ver a cantora a acompanham desde o começo, em tempos até de Disney Channel. Prestavam apoio com as canções mais novas e cantavam cada sílaba das mais antigas.
Acompanhada por um corpo de bailarinos, Demi respondia com carão e interações com a câmera. Ela foi uma das poucas que aproveitaram o enorme telão do Rock in Rio para fazer esse tipo de brincadeira com o público, especialmente no início da apresentação.
A cantora também faz algo raro em um show de pop: deixa o microfone ligado. Demi usa apenas bases de apoio nas músicas mais eletrônicas, mas aproveita sua habilidade como uma das maiores vocalistas da atualidade em faixas como Stone Cold e Ghost, que dedica ao marido, o músico canadense Jordan Lutes.
Sem muito alarde, depois de deixar os fãs sem fôlego, Demi anunciou que cantaria a última música, Cool For The Summer, que gerou gritos de comemoração e também fechou sua apresentação no The Town. Era especulado que Pabllo faria uma participação, deixada bem para os 45 do segundo tempo. As duas caminharam de mãos dadas para fora do palco, com sensação de missão cumprida.
Jamiroquai
Como esperado, o público que foi assistir ao Jamiroquai no Palco Sunset na sexta-feira, antes da apresentação dos headliners Stray Kids, não foi o mais expressivo do dia. Mas nem por isso a banda de acid-jazz ficou apagada.
O Jamiroquai fez história em tempos de MTV, ali pelos anos 1990 e 2000, mas provou, no show do Rock in Rio, ser atemporal. Sem ter conhecimento prévio, pode ser impossível determinar se a música da banda veio diretamente dos anos 1970 ou de algum tempo futuro. Foi essa nostalgia futurista que deu brilho à apresentação no festival.
Todos os membros soam impecáveis: não há um acorde fora do lugar ou uma nota cantada errada pelas backing vocals. Mas, inegavelmente, o grande protagonista é o vocalista Jay Kay, para quem o tempo parece não ter passado.
Ele entra no palco sem muito alarde, usando um chapéu roxo e já ganhando o público com (Don't) Give Hate a Chance. Canta com um extremo controle na voz e um domínio de palco invejável.
Antes de cantar um dos muitos clássicos da banda, Space Cowboy, ele vai sem muita explicação para trás do palco e troca o chapéu roxo por seus fones de ouvido que piscam. Mais tarde, veste um cocar de luz LED. É essa excentricidade um dos elementos que mais fazem a banda brilhar no palco. O show do grupo é daqueles feitos para assistir sem nem ver o tempo passar - ou para, exatamente, se lembrar dele.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

