Cinco acusados de integrar o Comando Vermelho (CV) viraram réus pelo assassinato do adolescente Ronaldo Henrique Souza Peixoto, de 14 anos, ocorrido em março desse ano na comunidade Cesar Maia, em Vargem Pequena, Zona Sudoeste do Rio. Um deles é Edgar Alves de Andrade, o Doca, apontado como principal liderança da facção.
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ), divulgada nesta terça-feira (15), a vítima e mais dois amigos foram encontrar a namorada de um deles. Quando estavam na comunidade, cinco pessoas os abordaram, de forma hostil, e perguntaram onde residiam, fazendo amaças caso fossem de área controlada por uma facção rival.
Ainda segundo o MPRJ, após deixarem a Cesar Maia, já no ponto de ônibus, o trio foi novamente abordado por homens armados e levados de volta para dentro da comunidade, onde tiveram os celulares analisados por criminosos.
Depois de encontrarem uma foto alusiva ao Terceiro Comando Puro (TCP) no celular de Ronaldo, os jovens começaram a ser torturados física e psicologicamente. As sucessivas sessões de violência terminaram na morte do adolescente. Os amigos foram liberados.
A vítima era moradora de Senador Camará, na Zona Oeste, área dominada pelo TCP. Conforme apurado pelo O DIA na época do crime, o suposto gesto na foto encontrada pelos traficantes seria de Ronaldo fazendo o número três, em alusão à facção rival do Comando Vermelho.
A família afirma que ele não tinha envolvimento com o tráfico de drogas e que sonhava em seguir a carreira de mecânico. Além disso, fazia aulas de muay thay e acumulava medalhas em competições da modalidade.
O corpo do adolescente foi encontrado esquartejado, no dia 1º de abril, dentro de um rio, próximo à Estrada do Gabinal, na Freguesia, na Zona Sudoeste.
A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) realizou investigações, que apontaram que os autores do crime foram Victor Tavares Vieira, Diogo Paixão Barbosa, Miguel Ferreira Salvo e Jonata da Silva Ramos. Agentes prenderam o quarteto em uma operação ocorrida em junho.
Segundo a denúncia, recebida pela 1ª Vara Criminal da Capital do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), a ordem para a execução do adolescente veio de Edgar Alves de Andrade, o Doca, que é foragido.
Os cinco viraram réus pelos crimes de homicídio qualificado, associação para o tráfico, tortura, sequestro e corrupção de menores.
A reportagem ainda não localizou a defesa dos acusados. O espaço está aberto para manifestação.

