Em meio à onda de críticas que vem sofrendo, acusado de não ter apoiado um artista que abria seus shows após manifestar apoio à causa palestina, o cantor britânico Ed Sheeran disse, no sábado, 19, durante uma apresentação na Filadélfia (Pensilvânia, EUA), que a situação em Gaza é "injustificável".
O cantor, que até então havia mantido uma postura apolítica, quebrou o silêncio sobre o conflito israelense-palestino em seu primeiro show desde a polêmica que envolveu o rapper americano Macklemore. "O que está acontecendo em Gaza é catastrófico, injustificável e desproporcional", disse Sheeran na abertura do show na Filadélfia.
"Nossos corações foram partidos pelo nível da devastação e perda de vidas de civis, de vidas de crianças, e a injustiça sistêmica que estamos vendo se desenrolar na Cisjordânia não pode ser ignorada", acrescentou.
O rapper Macklemore foi expulso da Loop Tour, de Sheeran, após gritar "Palestina Livre!" em uma apresentação em Nova Jersey no começo do mês.
"Eu tive que tomar e assumir decisões difíceis, e cometi erros, e eu sinto muito, mas muito mesmo", continuou Sheeran, emocionado. Quando o show estava perto do fim, Sheeran disse que a semana foi "a mais difícil da minha vida" e que teve medo de que as pessoas "jogassem coisas" nele.
Depois de agradecer aos fãs pelo apoio, ele descreveu o show como a "melhor noite" da sua vida e chorou.
Mais cedo, manifestantes recepcionaram o público no show do cantor britânico na Filadélfia com palavras de ordem pró-palestinas. Esta foi a primeira apresentação do superastro pop desde que ele se envolveu em uma polêmica pelos comentários pró-palestinos feitos pelo rapper Macklemore, que abria seus shows.
Na última segunda-feira, Macklemore foi retirado da etapa nos Estados Unidos da turnê de Sheeran depois que proprietários dos estádios que receberiam os próximos shows da turnê contestaram o fato de ele ter gritado "Palestina Livre!" no show em Nova Jersey.
Sheeran, de 35 anos, negou estar por trás da decisão de afastar Macklemore e responsabilizou o promotor da turnê. Críticos acusaram Sheeran de não ter enfrentado os donos dos estádios - liderados pelo empresário bilionário Robert Kraft - e desde então ele tem sido alvo de pedidos de boicote.
Antes do início do show, manifestantes pró-Palestina se reuniram em frente a uma estação de metrô próxima ao estádio Lincoln Financial Field. Eles exibiam bandeiras palestinas e entoavam a frase "Palestina Livre".
Policiais acompanharam à distância a manifestação pacífica.
Alguns fãs que entravam no estádio disseram ter hesitado em ir ao show por causa da polêmica, mas finalmente decidiram aproveitar a música.
Outros, como Brandon Ateke, mudaram de planos. O estudante de 18 anos da Universidade Brown acusou Sheeran de "cumplicidade" com Kraft na tentativa de silenciar Macklemore.
O estádio estava quase lotado, apesar do aumento na revenda de ingressos nesta semana e de uma forte queda nos preços.
No mercado de revenda, os ingressos para o show mudaram de mãos em um ritmo sutilmente superior desde a segunda-feira em comparação com outras datas da turnê de Sheeran, segundo o portal TicketData.
O preço dos ingressos mais baratos caiu de 123 dólares na segunda-feira (R$ 635,7, na cotação do dia) para 48 dólares na tarde de sábado (R$ 247,5).
Sheeran iniciou o show de sábado à noite sozinho no palco, sem artista de abertura. Mais tarde, ele chamou cinco músicos que, segundo ele, aprenderam suas músicas em três dias, e agradeceu por terem o acompanhado "em uma semana em que ninguém quer dividir o palco comigo".
Outros artistas que participavam da turnê posteriormente abandonaram a série de shows do intérprete de "Shape of You". Entre eles estavam a banda que acompanhava Sheeran e também Finneas, conhecido por seu trabalho ao lado da irmã, a estrelada cantora e compositora Billie Eilish.
Desde que Israel invadiu Gaza, em outubro de 2023, após o pior ataque da história do país, realizado pelo grupo islamista Hamas, o custo humano e a questão dos direitos palestinos se tornaram um grito de mobilização na indústria do entretenimento.
Do Oscar ao Emmy, passando pelos principais prêmios da música e pelos festivais de cinema europeus, a guerra em Gaza tem sido frequentemente um tema dominante.
A ofensiva israelense em Gaza deixou a maior parte do território em ruínas e causou a morte de mais de 73.800 pessoas, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, sob autoridade do Hamas.

