Caso de raiva em cão é confirmado no Rio; confira orientações

Segundo informações do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-RJ), o animal tinha histórico de contato com morcegos

Vacinação ajuda a prevenir doença da raiva
Vacinação ajuda a prevenir doença da raiva -
O município do Rio registrou, em agosto deste ano, um caso de raiva em um cão que vivia em uma área urbana da cidade. Segundo informações divulgadas pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-RJ), neste domingo (20), o animal tinha histórico de contato com morcegos.

A identificação da variante antigênica ainda está em análise. Ao DIA, o médico-veterinário e presidente do CRMV-RJ, Diogo Alves, explicou que a raiva é uma doença infecciosa viral aguda que pode acometer mamíferos, incluindo seres humanos.

"A raiva é de extrema importância para saúde pública, devido à sua letalidade de aproximadamente 100%, por ser uma doença passível de eliminação no seu ciclo urbano (transmitida por cão e gato) e pela existência de medidas eficientes de prevenção, como a vacinação humana e animal, a disponibilização de soro antirrábico humano, a realização de bloqueios de foco, entre outras", relatou.

Segundo o especialista, o órgão enviou um ofício à Secretaria Estadual de Saúde solicitando a vacinação de profissionais, auxiliares e alunos, além da facilitação do processo de titulação de anticorpos para os profissionais que já foram vacinados.

"A infecção da raiva progride, surgindo manifestações mais graves e complicadas, como ansiedade e hiperexcitabilidade crescentes; febre; delírios; espasmos musculares involuntários, generalizados, e/ou convulsões. Espasmos dos músculos da laringe, faringe e língua ocorrem quando o paciente vê ou tenta ingerir líquido, apresentando sialorreia intensa ('hidrofobia')", contou.

Ainda de acordo com Diogo, os espasmos musculares podem evoluir para paralisia, provocando alterações cardiorrespiratórias, retenção urinária e prisão de ventre. Também podem ocorrer dificuldade para engolir, medo de correntes de ar e sensibilidade exagerada a sons e à luz.

Como prevenir?

Em caso de agressão por um animal, a assistência médica deve ser procurada o mais rápido possível. O ferimento deve ser lavado abundantemente com água e sabão e, em seguida, deve ser aplicado um produto antisséptico.
"O esquema de profilaxia da raiva humana deve ser prescrito pelo médico ou enfermeiro, que avaliará o caso, indicando a aplicação de vacina e/ou soro. Nos casos de agressão por cães e gatos, quando possível, deve-se observar o animal por 10 dias para verificar se ele manifesta sinais da doença ou morre", acrescentou Diogo.

A vacinação anual de cães e gatos é eficaz na prevenção da raiva nesses animais e, consequentemente, também ajuda a prevenir a doença em humanos.

"Deve-se sempre evitar se aproximar de cães e gatos sem donos, não mexer ou tocá-los quando estiverem se alimentando, com crias ou mesmo dormindo. O CRMV-RJ orienta ainda a nunca tocar em morcegos ou outros animais silvestres diretamente, principalmente quando estiverem caídos no chão ou encontrados em situações não habituais", destacou.

Entenda a gravidade

De acordo com o relatório do CRMV-RJ, apenas dois pacientes sobreviveram entre todos os casos de raiva humana registrados no Brasil. A doença é transmitida pela saliva de animais infectados, por meio de mordidas, arranhões ou lambeduras em mucosas ou ferimentos na pele.

O período de incubação, ou seja, o intervalo entre a infecção e o surgimento dos primeiros sintomas, pode variar de dias a anos. Em humanos, a média é de cerca de 45 dias, podendo ser menor em crianças. Esse tempo depende de fatores como o local e a profundidade da lesão, a proximidade com o sistema nervoso central, a quantidade de vírus e a variante envolvida.
Em cães e gatos, o vírus pode estar presente na saliva de dois a cinco dias antes do surgimento dos primeiros sinais da doença e permanece até a morte do animal, que costuma ocorrer entre cinco e sete dias após o início dos sintomas. Já os morcegos podem abrigar o vírus por longos períodos sem apresentar sinais aparentes.
Embora o Brasil já atenda aos critérios da Organização Mundial da Saúde como área livre de raiva canina, cães e gatos seguem suscetíveis às variantes silvestres, sobretudo de morcegos, podendo atuar como transmissores secundários.

Situação epidemiológica no estado do Rio de Janeiro

No estado do Rio, foram registrados dois óbitos por raiva humana nas últimas décadas, ambos transmitidos por morcegos infectados: em São José do Vale do Rio Preto, na Região Serrana (2006) e em Angra dos Reis, na Costa Verde (2020).
Ainda segundo CRMV-RJ, a Secretaria Municipal de Saúde está realizando as ações de vigilância, investigação e controle necessárias diante da confirmação do caso, conforme as recomendações vigentes.

Orientações para a população

* Mantenha a vacinação antirrábica de cães e gatos em dia e evite que eles tenham acesso livre às ruas. Em espaços públicos, cães devem usar coleira e guia. Já os gatos devem ser mantidos, de preferência, em ambientes protegidos.

* Evite tocar em animais desconhecidos, feridos, doentes ou com comportamento alterado, sejam domésticos ou silvestres, como morcegos e saguis.

* Não permita que cães e gatos tenham contato com morcegos ou outros animais silvestres, vivos ou mortos.

* Em caso de animais com sinais suspeitos de raiva, como mudança brusca de comportamento, salivação intensa, falta de coordenação ou paralisia, comunique a Secretaria Municipal de Saúde.

Em caso de presença de morcegos:

* Nunca toque em morcegos, vivos ou mortos, nem tente capturá-los ou retirá-los por conta própria.
* Mantenha pessoas e animais afastados e acione o serviço de zoonoses do município para o recolhimento.
* Em caso de contato com o animal, ou quando não for possível descartar essa possibilidade, procure atendimento de saúde para avaliação da necessidade de vacina e soro contra a raiva.
* Morcegos são importantes para o meio ambiente e são protegidos pela legislação brasileira.