Esquema de 'golpe do falso familiar' é alvo de ação da Polícia Civil

Suspeita se passou por filho da vítima através de um aplicativo de mensagens e solicitou transferências bancárias de quase R$ 3 mil

Agentes cumprem mandados de busca e apreensão em endereços ligados a suspeita
Agentes cumprem mandados de busca e apreensão em endereços ligados a suspeita -
Policiais civis da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCI) realizam, nesta terça-feira (22), a Operação Impostor para apurar as circunstâncias por trás do "golpe do falso familiar" praticado por uma mulher. As ações ocorrem em endereços ligados à suspeita em Belford Roxo, na Baixada Fluminense.
A investigação começou depois que uma vítima recebeu mensagens de uma pessoa que se passou por seu filho, utilizando inclusive o nome e a fotografia dele no perfil do aplicativo de mensagens, e solicitou transferências bancárias de quase R$ 3 mil, que foram realizadas.

Utilizando a identidade do filho, a mulher pediu R$ 2.979,43 sob o pretexto de que precisava pagar algumas contas. A partir do registro do crime, os policiais analisaram as informações bancárias, dados vinculados à conta do aplicativo de mensagem utilizada na fraude, registros de conexão, endereços IP e linhas telefônicas para identificar os beneficiários do valor e reconstruir toda a infraestrutura telemática do golpe.

O cruzamento dessas informações permitiu que os agentes descobrissem uma linha cadastrada e vinculada a um aparelho celular em nome da investigada. Com os elementos reunidos durante a apuração, os agentes cumprem mandados de busca e apreensão contra a mulher para localizar materiais que possam esclarecer a fraude e identificar novos elementos sobre o crime.

Mais de 50% das tentativas de golpe são feitas por ligação 

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026 revelou que as ligações telefônicas são o principal canal usado na disseminação de golpes no Brasil. Elas correspondem a 53% das tentativas de estelionato digital.
De acordo com a pesquisa produzida pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) em março de 2026, 15,8% da população com 16 anos ou mais foi vítima de um golpe ou perdeu dinheiro pela internet ou pelo celular no último ano. O índice representa 26,3 milhões de pessoas.
Já o relatório "O Estado dos Golpes Brasil de 2026" estima que 16,5 milhões de brasileiros perderam dinheiro em fraudes no período, com prejuízos que chegam a cerca de R$ 21,2 bilhões. A cada 1 minuto e 31 segundos, um estelionato digital é aplicado no país. Em 2025, foram registrados 346.753 casos. 
Quem recebe uma ligação suspeita ou é vítima de um golpe tem três frentes principais de denúncia. A primeira é a Anatel, pelo número 1331 ou pelo site e chat oficiais da agência, canal que permite relatar chamadas fraudulentas e cobrar providências das operadoras. A segunda é a Polícia Civil: o registro pode ser feito pela Delegacia Eletrônica do estado da vítima ou de forma presencial em uma delegacia, com prints de tela, número que ligou e qualquer outro dado disponível. A terceira é o Procon, que em alguns estados tem formulário específico para esse tipo de fraude.