"O abusador virou a vítima. A minha mãe é o símbolo de resistência das mulheres. Ela era ou ele, minha mãe poderia estar morta. Eu poderia estar fazendo esse vídeo chorando ou no enterro da minha mãe (...). Minha avó falou várias vezes: ‘Não fica com esse homem’. Minha mãe estava apanhando, ele tinha apontado uma arma pra minha mãe, ele tentou tirar a vida da minha mãe. Minha mãe tentou buscar ajuda na polícia. Antes de o abusador ter acusado minha mãe, ela já tinha uma queixa contra ele", contou.
Chorando, Jeniffer revelou que quase não teve contato com Veronica durante o período em que ela foi casada.
"Nos 10 anos em que minha mãe estava casada com o marido, eu quase não tenho lembranças. Ela ficava mais de 16 horas sem dormir, muitas vezes faltava ao trabalho, ela só ficava deitada. Esse homem nunca deixava minha mãe sozinha. Minha mãe ia trabalhar, ele ia junto; ela ia ao médico, ele tentava entrar junto com ela na consulta. Eu quase não ficava sozinha com minha mãe", disse.
A filha reforçou que Veronica apenas se defendeu. "Minha mãe está sendo condenada por se defender, mas pelo menos ela está viva e se defendendo. Famílias, lutem! Familiares, ajudem! Eu não vou desistir de lutar pela minha mãe. Eu tenho muito orgulho da minha mãe e nunca vou abaixar minha cabeça quando andar na rua. Ela é um exemplo pra mim, um exemplo de mulher. Minha mãe não é bandida, a vítima está sendo presa", destacou.
Entenda o caso
De acordo com o processo, Márcio teve o corpo encharcado com combustível, foi ameaçado de ser incendiado e atingido no rosto com inseticida entre os dias 21 e 22 de fevereiro de 2011. A ação, que, segundo a defesa dele, foi coordenada pela ex-vereadora, teria sido praticada por outras três pessoas ligadas à família de Verônica.
Durante a sessão de tortura, os familiares questionavam Márcio sobre o paradeiro do dinheiro da campanha eleitoral da empresária, que concorria ao cargo de vereadora no Rio. Como não obtiveram resposta, as ameaças continuaram. No dia seguinte, durante um momento de distração do grupo, Márcio conseguiu pular pela janela e buscar ajuda de vizinhos. Na época, ele chegou a ficar 10 dias internado.
Márcio Costa denunciou a violência em fevereiro de 2011, quando ele e Verônica ainda eram casados. Na época da condenação, ele morava nos Estados Unidos e alegou ter sofrido diversas ameaças de morte.

