Lula afirma que Flávio foi eleito apoiado pelo crime organizado

Presidente da República criticou a biografia de seu principal adversário nas Eleições de 2026

Presidente Lula foi entrevistado no canal Cosmo Política, no Youtube, nesta quarta-feira
Presidente Lula foi entrevistado no canal Cosmo Política, no Youtube, nesta quarta-feira -
O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), criticou nesta quarta-feira, 30, a biografia de seu principal adversário na corrida presidencial deste ano, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Lula disse que Flávio nunca trabalhou na vida e se tornou vereador com 21 anos de idade "apoiado pelo crime organizado". As declarações foram feitas durante entrevista a influenciadores de esquerda exibida no canal do YouTube Cosmo Política.
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"Qual o compromisso com qualquer seriedade que esse cara Flávio tem? Nenhuma, ele não tem biografia, nunca trabalhou na vida. Ele foi eleito vereador com 21 anos de idade, já apoiado pelo crime organizado do Rio de Janeiro, pelos milicianos e nunca mais parou", disse Lula.

Jair Bolsonaro

Ele também criticou a biografia do pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro, dizendo que ele também nunca trabalhou na vida, entrou para o exército e tentou "estourar quartel".

Lula ainda disse que fica "com pena" quando vê que, quanto mais graduada e instruída a pessoa é, mais ela é conservadora. "Quando vejo um cara com diploma universitário, economista, cientista, votar no Bolsonaro, eu fico pensando, o que esse cara espera da vida? O que esse cara aprendeu de política na vida?", questionou.

Emendas parlamentares

O petista também criticou o volume das emendas parlamentares hoje "Não existe país no mundo em que Congresso fica com 50% do orçamento da União", criticou.

Agências reguladoras

Lula ainda afirmou que o Congresso também "tomou conta" do controle de agências reguladoras. "Tem muita gente nas agências que são representantes de empresários indicados por senadores, o que é um equívoco enorme. Ou seja, quem define a política pública é o governo."

Fundo eleitoral

O petista ainda avaliou que, no passado, já foi favorável à existência dos fundos eleitorais e partidários, mas que hoje é "taxativamente" contra.

"Acho que levou os partidos políticos a uma coisa chamada promiscuidade. se depender da minha vontade pessoal, vou trabalhar para acabar com isso os fundos", disse Lula, acrescentando que, por isso, é favorável a uma nova reforma política no País.

Lula diz que endividamento da população tem impacto de ''novos hábitos de consumo'' e bets

O presidente da República declarou que a alta das dívidas da população brasileira está relacionada com "novos hábitos de consumo" e com o impacto das apostas online, que estão proibidas no Brasil desde a última sexta-feira, 25.
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"Eu acho que essas dívidas estão ligadas aos novos hábitos de consumo da sociedade e está ligada a tal das bets. As bets retiraram desse País 1% do PIB, R$ 141 bilhões. Pagou R$ 10 bilhões de imposto para o governo e o restante levou para fora", disse Lula.

Ele afirmou também que sempre indicou que acabaria com as bets caso a regulação, feita no início deste terceiro mandato, não desse certo.

Lula também mencionou que chegou a emprestar R$ 24 mil a um "auxiliar endividado", mas ele não foi questionado sobre mais detalhes.

O presidente disse também que, além de tentar diminuir as dívidas da população, é preciso manter o aumento do salário mínimo, controlar a inflação e tentar diminuir a inflação de alimentos.

É preciso continuar controlando inflação e perseguindo meta, reitera Lula

O chefe de Estado repetiu que é preciso seguir perseguindo o cumprimento da meta de inflação, hoje fixada em 3%. Segundo Lula, a inflação hoje no País está controlada, há crescimento da massa salarial e desemprego baixo, mas "as pessoas estão com problemas".

"Então é bom que as pessoas queiram mais, e é bom que a gente se prepare para atender o que as pessoas querem mais", disse Lula em entrevista a youtubers progressistas exibida no canal do Youtube Cosmo Política.

Nesse sentido, o presidente da República lembrou que a inflação dos alimentos no governo de seu antecessor, Jair Bolsonaro (PL), teve alta acumulada acima de 50% em quatro anos e hoje está em 13%.

Ele reconheceu, porém, que muitos produtos ainda estão caros. "Obviamente que a coisa está cara porque, quando você baixa a inflação, os preços que estavam altos muitas vezes não acompanham", disse.

''Não quero um país em que as pessoas dependam do Bolsa Família''

O líder brasileiro também afirmou que não quer um País que tenha pessoas dependentes do Bolsa Família, mas que o Brasil seja uma nação desenvolvida. Ele frisou, porém, que, enquanto houver pessoas que precisam, haverá o programa social.

"Eu não quero um País em que as pessoas dependam de um Bolsa Família. Quero um País em que as pessoas tenham um bom emprego de qualidade e não precisem do Bolsa Família. Agora, enquanto elas não conquistarem, vai ter um Bolsa Família", disse Lula durante entrevista com influenciadores de esquerda exibida pelo canal do YouTube Cosmo Política.

Ele reforçou que quer que o Brasil se transforme em uma nação de "bem-estar social elevado" e que todos os trabalhadores "ganhem decentemente".

Lula diz que está fazendo levantamento sobre quem desrespeita religiões

O presidente também declarou nesta que a equipe dele está fazendo um levantamento sobre pessoas que desrespeitam religiões. 

"Já teve um imbecil que chutou Nossa Senhora Aparecida. Agora estamos fazendo um levantamento de gente que desrespeita outras religiões. O ideal é a gente respeitar todas as religiões, a gente respeita a religião católica, respeita os evangélicos, respeita a religião de matrizes africana. Ninguém é melhor do que ninguém", declarou Lula.

A fala de Lula ocorre diante da repercussão da notícia falsa de que o senador e candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, vai retirar a condição de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. Flávio nega.
"A única coisa que compensa é a gente respeitar a fé dos outros e não querer acabar com a Nossa Senhora Aparecida. Isso jamais", disse o presidente, sem citar nominalmente Flávio.

Assim como de costume em aparições desde a repercussão da polêmica, Lula apareceu com uma imagem católica procurando se aproximar do grupo religioso. Ele recebeu dos entrevistadores uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, vinda de Manaus.